Bolsa-anzol

31/7/2008
Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL

"Já tínhamos o Bolsa-Família, para todo mundo, o Bolsa-Escola, o Bolsa-isso e aquilo, o auxílio-paletó, o auxílio-moradia e outros 'auxílios' para os nobres deputados e senadores. Além disso, as extraordinárias pensões e aposentadorias para os 'amigos do poder'. Agora, chegou a vez dos pescadores. Todo mundo está virando pescador para ganhar a que está sendo conhecida como a Bolsa-Anzol, que cresceu dez vezes, um verdadeiro PAC, um Plano de Aceleração do Crescimento de pescadores que, agora, já são 630 mil, e dos valores pagos, que subiu de R$ 62 milhões para R$ 649 milhões entre 2002 e 2008. É uma espécie de seguro-desemprego, que é pago aos pescadores cadastrados, durante os meses de 'defeso', que é o período em que não se pode pescar em razão de ser proibida a pesca de certas espécies. Em 2002 eram 100 os pescadores com direito ao benefício. Hoje são 630 mil. A própria Secretaria Especial de Agricultura e Pesca, que recebe os pescadores para cadastro, reconhece que 'o seguro-defeso pode ter sofrido um inchaço semelhante ao Bolsa-Família'. Antes, nos meses em que não era permitido pescar, os pescadores se dedicavam a outras atividades, assim como os cortadores de cana, quando não é época de cortar cana, ou os plantadores de certos vegetais, quando não é época de plantá-los ou de colhê-los. Agora é só receber a 'Bolsa'. No futuro, nem pescar será preciso, com a Bolsa, é só comprar o peixe, na peixaria, ou uma carne, para um bom churrasco, que ninguém é de ferro."

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