Cogiá Hussein e seus 39 ladrões

27/8/2004
Abílio Neto

"No Brasil muitos pensam que Ali-Babá era mais um da gangue dos 40 ladrões de que fala a lenda. Na realidade, Ali era também um ladrão, mas, um ladrão diferenciado que roubava dos 40 ladrões, ao descobrir a senha secreta para abrir a caverna onde estes guardavam os tesouros. Na verdade, os ladrões de que fala a lenda faziam um esforço enorme para roubar e guardar o produto do roubo. Hoje em dia, Cogiá Hussein e seus 39 ladrões, se vivessem no Brasil fariam enorme sucesso. Cogiá fundaria um poderoso sindicato, aonde se filiaria toda espécie de ladrões: anões do orçamento; de colarinho branco; vampiros do Ministério da Saúde; fraudadores de obras públicas; gatunos que desviam verbas; banqueiros que faliram fraudulentamente seus bancos; empresários sonegadores de impostos; enfim, toda a elite do roubo nacional. Só não aceitaria ladrões de galinhas, descuidistas que tomam bolsas de mulheres e, principalmente, os que assaltam à mão armada porque envergonhariam o sindicato; entretanto, associado à Igreja, criaria uma ONG para defender os criminosos comuns em nome dos direitos humanos. Aproveitando-se da sua imensa popularidade, Cogiá com certeza eleger-se-ia Presidente da República. Os seus 39 ladrões também seriam eleitos para o Congresso Nacional: uma parte para a Câmara dos Deputados e a outra para o Senado Federal. No Congresso Nacional seus ladrões teriam uma convivência bastante harmoniosa porque a fauna lá existente é extremamente eclética como todo mundo sabe. Conhecendo a fraqueza do nosso Poder Judiciário e a esperteza dos parlamentares filantropos (aqueles que têm as suas próprias instituições), seria moleza liberar dinheiro do orçamento para que pudessem fazer suas caridades. Juntando-se os filantropos com os camaleões (aqueles que facilmente mudam a cor das casacas, em troca de um cargo aqui, uma nomeação ali), Cogiá não teria dificuldade para conquistar aliados e assim poderia atingir seu objetivo maior: mexer com uma senhora que em outros países vale muito, mas, que no Brasil tem o respeito de uma meretriz, uma senhora chamada constituição. Pois é, sem muito esforço, Cogiá aprovaria, também, as suas reformas e do mesmo modo como os demais Presidentes, sempre através de emendas. Sendo Cogiá muito inteligente, descobriria que nessa nova atividade não precisaria de muito desgaste físico nem de se expor a risco algum para subtrair. Bastaria que fosse arranjado um jeito de dar uma garfada na Folha de Pagamento dos Funcionários Públicos de todo o Brasil. Cogiá saberia que seria fácil aprovar a sua reforma e que seriam favas contadas a sua aprovação ou a declaração da sua constitucionalidade pelo Supremo. Ficaria felicíssimo em constatar que o Brasil é o local ideal para se roubar velho, viúva, órfão e aposentado, em especial daqueles que ganham acima de R$ 2.508,72 (verdadeiros privilegiados), tudo acobertado pelo sagrado manto da justiça, e feito de modo que o resto da nação o entendesse como um socialista, um distribuidor de renda, a fim de que a sua reeleição ficasse garantida."

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