Circus 13/8/2008 Alexandre de Macedo Marques "Sou morador da Vila Nova Conceição, alvo de um comentário do mestre Suannes no Circus e seu picadeiro chão de estrelas (Circus 98 – 8/8/08 – "Idiotices" -clique aqui). É real o estado constrangedor da Praça Pereira Coutinho. Se o fato apontado é real alguns desvios de mérito maculam as conclusões. Sistematicamente os moradores e a Associação de Moradores buscam soluções e meios para manter razoável o estado e aparência da Praça. Da presença incerta da Prefeitura, limitada a abnegados varredores, às iniciativas e ações insuficiente de alguns condomínios, ao patrocínio de empresas cuja atividade é permitida no bairro pelo zoneamento. Nada resiste ao vandalismo das hordas que usam o bairro como passagem. Cidades como S. Paulo padecem de uma insidiosa doença nascida do fato que a maioria de seus habitantes não tem relações afetivas com o burgo em que vivem. Massas de migrantes e seus descendentes comportam-se com o não compromisso e selvajaria de Átilas. E a Praça Pereira Coutinho não é exceção. A duzentos metros temos um Colégio Estadual, um viveiro de 'manos e minas' cujo comportamento lembra um bando de gafanhotos na savana africana. Optamos, via judicial, de mantê-lo face à ameaça da D. Marta, relaxando e gozando, de alienar o terreno, numa troca com a construtora que havia comprado, generosamente, a casa que era de propriedade conjunta com o Eduardo Lexotan. Como pano de fundo o coup-de-foudre amoroso, relaxante e gozativo, com o amante-latino- franco-argentino-corrientes- por una cabeza de un nobre tordillo. Entre um paliteiro indecente, explorando o charme e chic do bairro, defendemos a permanência do Colégio, que atende a alunos de classes sócio econômicas menos favorecidas do entorno do bairro. E a negociata de D. Marta deu com os burros n'água. Resumo da Ópera, eminente Suannes. Nenhuma reforma dura mais de duas semanas. Plantas são arrancadas, grades de canteiros destruídas, torneiras furtadas, gramados espezinhados; quilos e quilos de lixo, restos de comida e embalagens, detritos. O prezado não imagina que os afluentes moradores desçam de seus 'apartamentos suntuosos' (sic) para promoverem tal desgraça. Vila Nova Conceição é uma das vítimas do 'vamos invadir sua praia'. Infelizmente o 'fudêvu' libertário, patrocinado pela esquerda e sua Constituição de 1988 e a demência senil-juvenil do Ulisses Guimarães, não permite uma ação restritiva. Sou testemunha diária do vandalismo. Ninguém tem a coragem de enfrentar um adolescente agressivo, fantasiado de morador do Bronx. Enfim, não estamos dispostos a jogar fora nosso dinheiro refazendo, continuamente, algo pela manhã para hordas urbanas destruírem na noite seguinte. Polícia? Ora está muito ocupada, pela madrugada, em missões de 'Pureza etílica', a mais recente estupidez dos 'politicamente corretos' e mentecaptos de estatísticas burramente analisadas. Seria melhor que o Tarso Genro e seu chefinho enviassem uma MP ao Congresso permitindo que um Comissário responsável pela Polícia dos Bons Costumes em Serviço censório no bar, restaurante ou boteco colocasse uma estrela amarela em quem tivesse bebido e fizesse menção voltar ao lar dirigindo o seu carro. Mas tem coisas muito poéticas na Praça Pereira Coutinho. Outra hora falarei do seu mais famoso e tradicional habitante, o mendigo 'Cheiroso', vizinho da Tina Onassis e do seu sogro. Desde que mudei para o bairro, vindo do Rio de Janeiro, lá vão 12 anos, o 'Cheiroso', impávido, está lá, na praça, brindando os passantes com os eflúvios que originaram o apelido. Lendo uma esfacelada Bíblia, fumando seus tocos de cigarro, tomando seu café com querosene para o resfriado. Contribuo para o seu dia a dia com um dinheirinho para um café, uma sopa. Agradeço-lhe nunca ter-me dirigido um obrigado." Envie sua Migalha