PUC/SP

26/8/2008
Romeu Prisco

"Excluída a atividade política que a PUC/SP passou a exercer, o que, aliás, aconteceu com a maioria dos estabelecimentos de ensino de orientação católica, a instituição merece todas as homenagens na passagem do seu aniversário de fundação, esta ocorrida em 13.8.1946. Destarte, e também estranhando a ausência de outras manifestações, resolvi romper o meu silêncio e aqui fazer-me presente. Com a boa vontade da Redação de Migalhas, trago para publicação uma das inúmeras experiências agradáveis e felizes pelas quais passei na PUC/SP, relatada no artigo a seguir transcrito, que também pode ser encontrado no sítio dos ex-alunos e do jornal da mesma entidade. Orgulho-me de a ela ter pertencido e da fazer parte da turma do ano em que a PUC/SP foi eleita, pelo Ministério da Educação, como a escola-modelo do Brasil. A contribuição da PUC/SP, nas áreas cultural e de formação de profissionais de nível superior, mormente através da sua Faculdade de Direito, tem sido inestimável. Tantos são os nomes ilustres, integrantes do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Civil e da Ordem dos Advogados, oriundos da PUC/SP, que citar alguns seria uma grande injustiça com os demais não citados. Parabéns à PUC/SP, aos atuais e aos seus antigos alunos. Leia, abaixo, matéria do ex-aluno Romeu Agostinho Laerte Prisco, Direito - Turma de 1960.  Prisco resgata suas memórias sobre a ETA - Equipe Teatral Acadêmica, que integrou em meados da década de 50. Veja também matéria publicada no Jornal PUC S. Paulo.

'Conheçam a ETA

Nos idos de 1955, um grupo de jovens entusiastas e sonhadores, amantes das artes cênicas, todos alunos da Faculdade Paulista de Direito, fundou a ETA - Equipe Teatral Acadêmica, destinada, como a própria denominação indica, a desenvolver a atividade teatral no âmbito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. A sede da entidade, como não poderia deixar de ser, era nas dependências da Faculdade, situada na Rua Monte Alegre, 984.

 Durante a sua existência, fizeram parte da Diretoria os seguintes alunos: Presidente - Manoel Pereira Coelho Neto (in memorian); Secretário Geral - Sarah Mello M. de Castro e Julia Antonio Salomão; 1º Secretário - Julia Antonio Salomão e Paulo Roberto B. de Almeida; Tesoureiro - José Januário de Magalhães Filho; Diretor Auxiliar - Sarah Mello M. de Castro; Diretor de Propaganda - Edison Wagner Atanes.

 A escolha das peças a serem encenadas contava com as sugestões de todo o grupo, mas, principalmente, de quem se propunha a dirigi-las, no caso, Ademar Guerra (in memorian) e Luis Antonio Rodrigues (in memorian), com a participação de Sarah Mello M. de Castro.

 Uma vez escolhida a peça e o elenco pelo diretor da montagem, entre os integrantes do grupo que melhor atendiam às características dos papeis disponíveis, passava-se à realização dos ensaios, nos períodos da tarde ou da noite, O período matinal era dedicado às aulas, único, por sinal, naquela época. Os ensaios se davam ora nas dependências da Faculdade, ora na residência da Julia, um casarão situado na Alameda Santos, gentilmente cedido pela família Salomão, com direito, diga-se de passagem, a lanches, refrigerantes e cafezinho.

 O próprio grupo também se encarregava da confecção dos figurinos e dos cenários, da sonoplastia e da iluminação. Como figurinista, destacou-se Maria Helena Faria Lima (in memorian), filha do também falecido Brigadeiro Faria Lima, ex-prefeito Emérito da cidade de São Paulo. Eventualmente ocorria o aluguel de trajes típicos, que podiam ser encontrados na antiga Casa do Ator, então situada nas cercanias da Rua Major Sertório.

 Como teatro, entre outros, foram utilizados o extinto Teatro São Paulo, o Teatro do Colégio Maria José e o Teatro João Caetano, cujos palcos acolheram estas peças encenadas pela ETA: 'A camisola do anjo', de Pedro Bloch; 'Entre o vermute e a sopa', de Arthur Azevedo; 'Cântico dos Cânticos', de Jean Giraudoux; 'Os ciúmes de um pedestre', ou 'O terrível capitão-do-mato', de Martins Pena, e 'O tempo e os Conways', de John B. Priestley.

A ETA manteve-se ativa entre 1955 e 1959. Dela participaram os seguintes pioneiros, incluindo atores, diretores, cenaristas, figurinistas e demais colaboradores (por ordem alfabética):

 Ademar Guerra (in memorian), Antonio Francisco Cesarone, Antonio José Pereira Leite, Bertoldo Salum, Carlos Eduardo Mestieri, Carmen Olivia Franco do Amaral, Denise Serpa Pinto, Edison W. Atanes, Ely Marise Abreu Boccomino, Gilberto M. Barreto, Janine Ursztajn (in memorian), José Julio Vilela Mendes, Julia Salomão, Labibe Chamon (in memorian), Laercio Silva (in memorian), Leonidas van Haute de Almeida (in memorian), Levy de Azevedo Sodré Filho, Luis Antonio Rodrigues (in memorian), Luiz A. C. Carvalho, Manoel Pereira Coelho Neto (in memorian), Margarida de Chantal Lessa Melillo, Maria Helena Faria Lima (in memorian), Moacyr E. R. Raggio, Otacílio Veiga, Paulo Roberto B. de Almeida, Romeu A. L. Prisco, Sarah Mello M. Castro e Sylvia Fonseca.

A eles, as mais sinceras e merecidas homenagens.'"

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