Selic

11/9/2008
Iracema Palombello

"Taxa de juros. Coando tudo o que se pôde espremer dos comentários e críticas de diversos setores afetados pela alta da Selic, temos que: O aumento da Selic foi excessivo, impõe custos desnecessários ao conjunto da sociedade e confirma que o governo precisa aprofundar o ajuste fiscal. O Brasil precisa ter uma política fiscal de melhor qualidade para aliviar o aperto monetário. A elevação da taxa Selic prejudicará os investimentos e comprometerá o crescimento da economia. O Banco Central persiste no erro de comprometer o futuro do Brasil. Para a Fiesp, o governo mantém a política de alta de juros - com a argumentação de frear a inflação -, com a inflação já sob controle. De nada adianta falar-se de políticas de desenvolvimento, de resgate da dívida social se, cada vez mais, pelo ralo da dívida interna escoa a fatura perversa de crescentes aumentos de juros. E o pior, sem a menor necessidade. A pressão inflacionária não pode mais ser usada como argumento para a elevação dos juros. O Banco Central, ao elevar a taxa Selic, parece querer frear o ritmo de expansão do crescimento e sufocar as possibilidades de um ciclo de desenvolvimento sustentável. Não deixa de ser irônico que o crescimento do PIB não tenha trazido consigo uma explosão inflacionária, contrariando o discurso do Copom. O aumento da Selic é desproporcional às expectativas de disparada da taxa inflacionária. É que a subida dos preços das mercadorias foi provocada pela redução da oferta e não pela demanda. Por isso, o aumento do juro básico é colossal, inoportuno e inconveniente. A elevação dos juros tem um custo muito grande para o país porque impacta a dívida pública, inibe os investimentos produtivos, diminui a demanda e, conseqüentemente, reduz o crescimento econômico e a geração de empregos. Injustificável a manutenção do aperto monetário pelo Copom (Comitê de Política Econômica do Banco Central) face o recuo da inflação. Para o Banco Central tudo serve para justificar a alta dos juros, até mesmo a reversão dos preços de 'commodities' internacionais. O BC (Banco Central) manteve a trajetória de aperto nos juros, em um momento em que os indicadores econômicos apontam forte crescimento da economia, queda da inflação e agravamento da crise internacional. A política monetária adotada pelo governo trará como prejuízo a elevação da dívida pública, a continuidade da apreciação cambial, a desaceleração dos saldos comerciais externos e a elevação do déficit em transações correntes. E o cordeiro devorado pelo lobo será o crescimento econômico de 2009, que voltará a ser medíocre. Ao contrário de um novo aperto monetário, o governo deveria reduzir os gastos públicos e não pressionar o consumo das famílias, por meio da contenção do crédito, que no Brasil ainda representa apenas 37% do PIB. Não há necessidade de o Banco Central elevar os juros para conter o consumo, em um cenário de arrefecimento da inflação e expansão dos investimentos na produção. Essa trajetória de alta nos juros básicos inibirá o crescimento do país no próximo ano. Ao menos, a decisão do BC não foi unânime... Sinal que, algum dia, talvez possa aparecer uma luz no fim do túnel..."

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