Eleições

3/10/2008
Antonio Sarmento

"(Migalhas 1.997 - 3/10/08 - "Eleições 2008") 'Eleições 2008 - De novo o paternalismo inoportuno. O TSE decidiu agora que os eleitores não poderão entrar na cabine de votação com celulares, máquinas fotográficas ou filmadoras. 'Esta providência concretiza a vontade da Constituição, que é de assegurar o sigilo e o segredo do voto,' disse o ministro Carlos Ayres Britto. Esqueceu-se, S. Exa., que o sigilo é para o leitor, que pode, muito bem, dizer em quem votou. Ou seja, ele pode violar seu próprio sigilo. A pergunta que fica é: vai ter mesário fazendo revista pessoal no eleitor? Que tal um detector de metal, ou uma das agradáveis portas-giratórias de bancos?' Talvez o Ilustre Diretor, que ainda ameaça mulheres a serviço da redação desse brilhante rotativo em humildes misteres (a despeito da Lei Maria da Penha), não saiba que, no Rio de Janeiro, os eleitores teriam sido, segundo a 'mídia' (as fontes continuam sendo sigilosas, até segunda ordem, ou emenda da Constituição, se assim for requerido para apaziguar algum escrúpulo inoportuno) compelidos pelo tráfico e pelas milícias a fotografar a urna, para provar sua obediência ao depositar o voto nos candidatos da guerrilha urbana que domina esta cidade. Pode ser chamado de paternalismo, ou ainda de outras coisas piores, mas, até que estejamos vivendo sob a proteção da lei (fato desconhecido nesta cidade), alguma coisa deve ser feita para impedir que a marginalidade continue mantendo seu domínio sobre a vida de cada cidadão (ou, a rigor, semi-cidadão). Creio que o redator é um privilegiado, que habita lugares seguros, anda de carro blindado e precedido de batedores, tendo à porta de sua mansão uma pleiade de guarda-costas fieis. De outro modo, não sei como interpretar o comentário impiedoso e antecristão, que fustiga a justiça quando esta, à falta de outros meios de coerção, usa de métodos quiçá pouco ortodoxos para impor o mínimo de garantia e proteção aos desvalidos moradores de áreas paupérrimas, onde impera não a lei dos homens, já por si só fraca e muitas vezes injusta, mas a cruel lei do sub-mundo, cuja 'justiça' condena sem julgamento e executa sumariamente ao menor sintoma de rebeldia. Poderia a Justiça Eleitoral discriminar, e fazer as regras apenas para as seções eleitorais das 'periferias' e 'comunidades carentes'?"

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