Doutor Machado

7/10/2008
Pedro Luís de Campos Vergueiro - advogado e procurador do Estado de São Paulo aposentado

"Magnífico. A começar pela extraordinária idéia: localizar em toda a obra de Machado de Assis aquilo que se refere ao direito posto, ao advogado e à magistratura, identificando nos textos coisas que dizem respeito à nossa formação e atividade. A busca atingiu o objetivo visado. E também, afirmo, a expectativa do leitor. E como! Assim, um verdadeiro trabalho de ourivesaria veio a lume. Outra coisa não é o 'Doutor Machado – O Direito na vida e na obra de Machado de Assis' (clique aqui), de autoria de Cássio Schubsky e Miguel Matos – Migalhas. Raras são as oportunidades em que uma leitura proporciona tão imenso prazer. Nenhum senão para essa obra que contém todos os matizes do humor mordaz, mas sadio, e a perspicácia do mestre de nossas letras. Ao expor o que buscaram e encontraram, construíram um texto que encerra o charme, o encanto, a ironia e o humor do mestre maior de nossas letras. Ler o Doutor Machado é tão prazeroso como ler as obras do próprio Machado, ou melhor, do Doutor Machado, quer se trate do professor de Direito, do Advogado, ou do Magistrado. Para quem não leu, ou pouco leu, a leitura do 'Doutor Machado' será o estímulo para a leitura ou releitura, por exemplo, do fantástico 'Dom Casmurro'. Para quem já leu Machado, a leitura do Doutor Machado será o incentivo para repetir as leituras de uma forma mais atenta às nuances da maestria no uso das palavras, na elaboração das frases e, sobretudo, vivenciar com intensidade as emocionadas reflexões das entrelinhas. Na pesquisa e análise das crônicas, os autores destacam uma datada de 16 de maio de 1885. Nela Machado conta o seu encontro 'com os impostos inconstitucionais de Pernambuco', que, por estarem mais gordos, não os reconheceu imediatamente. Remeto todos à leitura do Dr. Machado onde essa crônica que está transcrita na sua integralidade. Porém, o final, é irresistível deixar de reproduzir: 'Vocês como simples impostos são excelentes, gorduchos e corados, cheios de vida e futuro. O que os corrompe e faz definhar é o epíteto de inconstitucionais. Eu, abolindo por um decreto todos os adjetivos do Estado, resolvia de golpe essa velha questão, e cumpria esta máxima, que é tudo o que tenho colhido da história e da política, e que aí dou por dois vinténs a todos os que governam este mundo: Os adjetivos passam, e os substantivos ficam.' Aí está, a erudita perspicácia do mestre, demonstrativa, como ele próprio algures disse, de que tudo não passa de verdades velhas caiadas de novo. O Dr. Machado, enfim, placet."

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