Crise financeira

14/10/2008
Alexandre de Macedo Marques

"O economista Gustavo Franco conta em sua coluna, na Folha de S. Paulo, os azares dos haveres financeiros do bruxo do Cosme Velho, o nosso genial Machado de Assis. Vítima, não de especuladores mas da alma caloteira do Estado Brasileiro.Entre outros bens possuía o escritor 7000 contos em títulos da Dívida Pública, do Empréstimo Nacional de 1895. Convém lembrar que eram recursos tomados emprestados da poupança de cidadãos. Em 1889 o Estado declara moratória deixando de pagar os respectivos juros. Em 1906 Machado escreve um testamento declarando não mais 7000, mas 12 mil. Os originais 7000, acrescidos de novos títulos recebidos pelos juros e principal não pagos. A moratória vai até 1910 quando sua herdeira, a filha de sua sobrinha, começa a receber os juros. Em 1914 nova moratória interrompe o pagamento até 1927; e, depois, até 1931. Depois de alguns pagamentos até 1934, veio o calote completo, em 1937. Nos 40 anos decorridos menos de 18% do empréstimo foi amortizado e os juros foram pagos apenas por 12 anos. A partir de 1943 foram retomados os pagamentos. Sem correção monetária, viraram cinzas. Eis uma edificante história do Estado de um país sem guerras, terremotos, cataclismas. O velho PT ideológico não faria melhor."

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