Distração para o fim de semana 14/10/2008 Romeu A. L. Prisco "Confesso que fui atraído pela chamada do amigo Wilson Silveira com o pensamento voltado para as reminiscências da cidade de São Paulo. Tudo o que diz respeito a esta metrópole sempre me tocou. Nela nasci, fui criado e dela guardo saudosas lembranças, anteriores ao seu crescimento desordenado, que se deu, principalmente, a partir de 1970. Nesta época, o então Prefeito biônico, engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz, já vaticinava: 'São Paulo precisa parar de crescer'. Assim posto, confesso que me decepcionei com o que vi no 'clipe' anexado à mensagem inicial deste tópico. São Paulo não era aquilo que lá se vê. Melhor dizendo: São Paulo não era 'só' o pouco que lá se vê. Era muito mais e, por incrível que pareça, tinha lirismo e romantismo. Grande e provinciana ao mesmo tempo. Cadê o belo Teatro Sant'Anna, que foi demolido para dar lugar a uma galeria comercial? Cadê o Cine Theatro Santa Helena, igualmente demolido para junção das praças da Sé e Clovis Bevilacqua? Cadê a Avenida Paulista com seus imponentes casarões e enormes jardins? Cadê os vestígios das fontes luminosas dos parques públicos e das avantajadas bacias d'água, colocadas estrategicamente nas ruas e que se destinavam a matar a sede dos eqüinos puxadores das carroças dos leiteiros e dos padeiros? Cadê a vista das instalações fabris das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, grupo genuinamente nacional, das quais sobraram apenas três chaminés e cuja antiga sede hoje, felizmente, é ocupada pela Prefeitura paulistana? Outrossim, ainda com o devido respeito ao nobre migalheiro Wilson, as músicas daquele mesmo 'clipe' nada têm de especial. São típicas da preferência de um 'boyzinho' da época, equivalentes àquelas 'executadas' (nos dois sentidos) pelas modernas bandas, nos programas do Faustão e do Raul Gil. Finalmente, não vou ficar chateado se o amigo Wilson, com toda razão, me disser: 'traga algo melhor'. Prometo que vou tentar." Envie sua Migalha