Circus

27/2/2009
Mano Meira - Carazinho/RS

"Francimar, parabéns pelo comentário extensível ao articulista, o Mestre Adauto Suannes. Gostei desse comentário sobre a cabaça. Sempre me chamou a atenção esse termo Cabaça usado pelos nordestinos para a nossa tradicional cuia de mate. Nós usamos chamar porongo para o produto bruto, inteiro e de onde se extrai a cuia, cortada logo a seguir da parte menor para a maior do porongo. Cada um escolhe a cuia de acordo com seu gosto, ultimamente o pessoal anda com um modismo de usar cuia enfeitada, para os gaúchos mais pêlos duros, ou seja os mais acaboclados (antes de sofrerem influência das últimas levas de emigrações), isso é coisa de gringo, pois eles acreditam que somente a bomba do mate é que deve ser sofisticada, enquanto a cuia deve ser simples, pois quando fica velha e gasta, basta ir na roça e de lá extrair outro porongo e fazer uma nova cuia. Hoje andam enfeitando as cuias com um produto tóxico chamado durepok ou durepoke ou durepox (cola mesmo), é como se fala. Sobre isso até andei fazendo uns versos, e veja só no que deu:

 

Porongo

 

Este porongo que se vê

junto à velha chaleira,

em cima da prateleira,

na caixa de erva encostado,

foi colhido no roçado

do Rincão da Palmeira.

 

É porongo do casco grosso

e está sendo preparado

com amor, carinho e afago,

pra ser cuia de chimarrão,

pra servir de mão em mão

o licor primitivo do pago.

 

Pro preparo da cuia

existe uma grande ciência

que não se aprende na escola,

ela vem da experiência

da vida que desenrola,

com manha, jeito e paciência.

 

Pra tomar um mate

com tudo que de direito,

com erva buena, a preceito,

deve o índio respeitar,

pra não se enrascar,

as manhas do procedimento.

 

Começa com a escolha

dum porongo a capricho,

que não seja mui grande

ou mui pequeno, que vira lixo.

O porte médio e sem luxo

é o certo pra cuia do gaúcho.

 

Loira, ruiva ou trigueira,

mulata, bugra ou morena,

as prendas têm mão pequena,

isso é Deus que determina,

por isso, a cuia da china

há de ser menor que a do torena.

 

Pra estampa da cuia

o que vale é a simplicidade,

aí está toda a verdade,

como se vê nas mateadas (na praça) em domingo,

porongo mui grande é de palco,

mui enfeitado é de gringo!"

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