Bagrinhos

7/4/2009
Arnaldo Malheiros Filho - escritório Malheiros Filho, Camargo Lima e Rahal - Advogados

"Depois que fui galardoado com um magnífico pinguim de louça do legendário Pinguim, por ter dado uma explicação aceitável para o fato de um juiz substituto em Tribunal ser chamado de 'pinguim', o ilustre advogado e profícuo migalheiro Luiz Fernando Pacheco pergunta a origem do termo 'bagrinho' (Migalhas 2.117 - 6/4/09 - "Migalhas dos leitores - Pinguins" - clique aqui). Na gíria praiana, 'bagre' é qualquer peixe de baixo valor no mercado. Em Santos, onde vigorou (se é que ainda não vigora) a maior e mais injusta reserva de mercado do Brasil, os navios só podiam ser descarregados por estivadores sindicalizados, os chamados 'carteiras pretas'. Toda manhã havia no porto um leilão a que só podiam acorrer os carteiras pretas, para ver quem seria aquinhoado com os proventos pela descarga dos navios atracados. Os carteiras pretas eram médicos, advogados, professores, empresários, que acordavam cedo para conseguir seu contrato e fazê-lo executar por um estivador de verdade, porém não sindicalizado, que carregava sacos nas costas por um quarto do valor pago ao seu explorador. Por ser um bicho da beira-mar de baixo valor, esse carregador era chamado de 'bagrinho'. A partir daí a palavra passou a designar o substituto que trabalha muito e ganha pouco, ou tem poucas regalias, que ficam reservadas ao titular. Se Migalhas aprovar a explicação, reivindico uma chopada no Pinguim, com direito de visita à câmara frigorífica da serpentina."

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