"Cangaço judiciário"

17/2/2005
Adilson Abreu Dallari - orgulhoso sempre aluno do Prof. Goffredo, desde 1962

"Chegou tarde a belíssima lição do Mestre Goffredo (Migalhas 1.108 16/2/05 – “Aula”) no sentido de que o bacharel em Direito que se comporta de maneira anti-social "Trai seu diploma, a ordem social e, portanto, os princípios dos quais é intérprete, esteio, guardião, sentinela".  Um Promotor Público, que, além de bacharel, é uma autoridade pública e, nessa condição, recebe da lei o direito de andar armado, tem, como decorrência,  uma especial dever de prudência e uma especial responsabilidade quanto ao uso da arma. Entretanto, o Poder Judiciário, que já havia entendido ser dispensado o exame de aptidão técnica e psicológica para o porte de arma por tais autoridades, conferiu a elas também o direito de matar, sob o fundamento machista e anacrônico de que  a lei "não obriga ninguém a ser covarde". Além de ser uma demonstração clara de corporativismo explícito, a decisão mostra que, atualmente, bandidos e autoridades destemperadas podem armar-se e matar à vontade. Ao cidadão correto, pacífico e ordeiro, resta o direito de ser assassinado. Viva o cangaço judiciário!"

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