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Discriminação

XP e Ável são processadas por equipe sem negros e mulheres

Em foto da equipe, é possível ver que grande maioria dos colaboradores são jovens homens brancos.

Da Redação

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Atualizado às 15:43

Associações de defesa de negros, mulheres e direitos humanos ingressaram com ação civil pública contra as empresas de investimentos XP e Ável, por danos morais coletivos em razão da política de contratação da empresa, "notoriamente excludente e discriminatória”. O padrão de contratação seria de homens jovens e brancos.

O que deu ensejo à demanda foi uma foto da equipe de colaboradores da ré, que teria sido tirada entre 2020 e 2021, na qual há pouquíssimas mulheres e nenhum negro.

O valor da causa é de R$ 10 milhões.

 (Imagem: Reprodução)

Empresas são processadas por equipe sem negros e mulheres.(Imagem: Reprodução)

Segundo a inicial, a imagem remete ao livro “Admirável Mundo Novo”, escrito por Aldous Huxley, em que se anteviu a formação de uma sociedade baseada em “clones”, todos física e psiquicamente idênticos. “É o oposto simbólico da imagem de sociedade plural que marca as democracias modernas e que constitui a base da nossa ordem constitucional.”

De acordo com o documento, além da indevida aglomeração em tempos de pandemia, chama atenção o fato de a equipe de colaboradores ser integralmente formada por pessoas brancas, em sua maioria homens. “É a reprodução de um padrão nada natural.” Ainda segundo a inicial há um vídeo da Avel que igualmente reforça a ausência de negros na empresa.

Em longa petição, as associações destacam a importância do tema, abordam a questão da discriminação social e da herança do escravismo, entre outras relevantes questões ligadas aos direitos humanos.

Pelo exposto, pleiteiam uma série de pontos, entre eles: condenação pelos danos morais coletivos; que as rés sejam obrigadas a realizar plano de diversidade, com metas para impedir discriminação racial, de gênero e de idade; a composição dos quadros de funcionários com mesma proporção de negros, mulheres e indígenas presentes na sociedade brasileira; disponibilização de cursos gratuitos e estágios remunerados; e a reserva de cotas para idosos.

Requerem, ainda, a imposição de obrigações que impeçam a reiteração dessa conduta, instituindo-se plano de não discriminação no âmbito das empresas.

“Erramos”

Diante das críticas em redes sociais e imprensa, as empresas publicaram comunicado reconhecendo que cometeram erros, tanto com relação à pandemia, quanto sobre a diversidade de gênero e raça. 

"Erramos ao reunir nosso time sem os devidos cuidados e ao publicar a foto em um momento em que enfrentamos uma pandemia. (...) Como empresa, temos responsabilidade perante a sociedade e não vamos nos furtar a elas. Tomaremos o episódio como propulsor para abrir uma agendade ações efetivas em relação à diversidade."

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