MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. EUA: Futura decisão da Suprema Corte pode pôr fim ao direito do aborto
Aborto | Mulheres

EUA: Futura decisão da Suprema Corte pode pôr fim ao direito do aborto

Documento foi revelado ontem pelo site Político. Direito ao aborto no país é garantido desde a década de 70.

Da Redação

terça-feira, 3 de maio de 2022

Atualizado em 4 de maio de 2022 08:33

Nesta segunda-feira, 2, um documento revelado pelo site Político causou uma grande movimentação nos Estados Unidos, tanto nas redes sociais quanto fora delas. Trata-se de um rascunho de decisão apontando que os juízes da Suprema Corte podem derrubar o direito ao aborto no país, garantido desde a década de 70.

  • Leia a íntegra do documento em inglês, clique aqui.

 (Imagem: Arte Migalhas)

Suprema Corte dos EUA pode derrubar direito ao aborto.(Imagem: Arte Migalhas)

A decisão de 22 de janeiro de 1973 que legalizou a interrupção voluntária da gravidez nos Estados Unidos é conhecida mundialmente como “Roe versus Wade”. Na ocasião, a Suprema Corte do país entendeu que o direito ao respeito à vida privada, garantido pela Constituição, se aplicava ao aborto.

Já no documento revelado pelo site Político, o juiz conservador Samuel Alito classificou a “Roe versus Wade” como “extremamente errada”.

"Roe estava extremamente errada desde o início. Seu raciocínio foi excepcionalmente fraco e a decisão teve consequências prejudiciais. E longe de trazer um acordo nacional para a questão do aborto, Roe e Casey [outro processo sobre aborto, de 1992] inflamaram o debate e aprofundaram a divisão."

Caso a Corte estadunidense derrube o precedente, leis existentes em 22 Estados poderiam instantaneamente tornar o aborto ilegal. Entretanto, ainda não se sabe quando o tema será alvo de um veredito.

A decisão de 1973 está sendo analisada pela Corte como parte de um processo contra a proibição do aborto no Mississippi, que está em curso.

Documento verídico

O chefe de Justiça John G. Roberts Jr. emitiu um comunicado nesta terça-feira, 3, confirmando a autenticidade do rascunho vazado.

“Ontem, um órgão jornalístico publicou cópia de um projeto de decisão em processo pendente. Os ministros circulam internamente minutas de decisão como rotina e parte essencial do trabalho deliberativo confidencial da Corte. Embora o documento descrito nos relatórios de ontem seja autêntico, não representa uma decisão do Tribunal ou a posição final de qualquer membro sobre as questões do caso."

 (Imagem: Reprodução)

(Imagem: Reprodução)

Posicionamento do presidente

Após toda a repercussão do caso, nesta terça-feira, 3, o presidente Joe Biden emitiu um comunicado no qual afirmou que protegerá “o direito da mulher a escolher” caso a Suprema Corte derrube o aborto de forma legal.

Veja a postagem do presidente:

 (Imagem: Reprodução/Twitter)

Comunicado emitido pelo presidente Joe Biden.(Imagem: Reprodução/Twitter)

Manifestações

Ainda na noite de ontem, depois que o documento veio à tona, manifestantes foram até a Suprema Corte se posicionar contra o fim do direito. O The New York Times afirmou que o clima no local era uma mistura de “raiva e luto”.

Composição da Suprema Corte

Atualmente, o Tribunal é composto por nove juízes, sendo seis conservadores (nomeados por presidentes republicanos) e três liberais (nomeados por presidentes democratas), todos com cargo vitalício.

Em julho, o liberal Stephen Breyer se aposentará e será substituído por Ketanji Brown Jackson, 1ª mulher negra a assumir o posto. A juíza foi indicada por Joe Biden e aprovada pelo Senado americano em abril.

"Úteros a serviço da sociedade"

Trazendo a discussão para o Brasil, em 2020, quando o STF rejeitou a possibilidade do direito ao aborto para grávidas infectadas pelo vírus da zika, ministro Luís Roberto Barroso apresentou uma reflexão sobre o aborto. Para S. Exa., o debate transcende a questão da zika e da microcefalia, alcançando os direitos reprodutivos das mulheres de maneira geral.

O ministro destacou ser o aborto fato indesejável, e que "o papel do Estado e da sociedade deve ser o de procurar evitar que ele ocorra, dando o suporte necessário às mulheres". Reiterou, por sua vez, que a criminalização do ato "não tem produzido o resultado de elevar a proteção à vida do feto". Ao contrário, países em que foi descriminalizada a interrupção da gestação até a 12ª semana conseguiram melhores resultados, proporcionando uma rede de apoio à gestante e à sua família.

"Para que não haja dúvida: mulheres são seres autônomos, que devem ter o poder de fazer suas escolhas existenciais, e não úteros a serviço da sociedade."

Patrocínio

Patrocínio

ANDRIA ARAUJO SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA
ANDRIA ARAUJO SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

ANDRIA ARAUJO SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

instagram
GONSALVES DE RESENDE ADVOGADOS

ATENDIMENTO IMEDIATO

TORRES & SILVA SOCIEDADE DE ADVOGADOS LTDA
TORRES & SILVA SOCIEDADE DE ADVOGADOS LTDA

TORRES & SILVA SOCIEDADE DE ADVOGADOS LTDA