MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. Lojas Americanas: juiz atende bilionários, em detrimento dos credores
$$$

Lojas Americanas: juiz atende bilionários, em detrimento dos credores

A lambança, que estava limitada ao âmbito contábil, está conspurcando também a esfera judicial.

Da Redação

sábado, 14 de janeiro de 2023

Atualizado às 18:24

Inconsistências em lançamentos contábeis”, eufemismo da moda, foi a pífia justificativa das Lojas Americanas para  num fato relevante   apresentar uma das maiores lambanças da história do país.

Com efeito, não bastassem os aloprados invadindo os palácios em Brasília, o mercado de ações começou 2023 também com uma notícia comparativamente igual.

Mas a trapalhada – que iria se resumir numa questão contábil (vergonhosa, para ficar apenas nos termos morais), com a consequente e obrigatória injeção de capital por parte dos acionistas – está se transformando numa trapalhada judicial.

De fato, após o mencionado fato relevante promovido pela empresa, um dos credores, o BTG Pactual, com cláusulas explícitas, as quais permitem a compensação do crédito, inclusive com cláusula que autoriza o uso do caixa para quitação, antecipou-se e fez a respectiva operação compensatória.

O que era líquido e certo, até para higidez dos contratos e, consequentemente, da segurança jurídica como um todo, acabou tendo um revés em primeiro grau.

Tal se deu porque o juiz de Direito Paulo Assed Estefan, da 4ª vara Empresarial do RJ, em plena sexta-feira, 13 (para os supersticiosos a data não era propícia), concedeu uma “tutela cautelar antecedente”, impedindo o bloqueio, sequestro ou penhora de bens da empresa.

O juiz exigiu, ipsis litteris, "a imediata restituição de todo e qualquer valor que os credores eventualmente tiverem compensado, retido e/ou se apropriado, em virtude do fato relevante veiculado ao mercado em 11/1/23 e seus desdobramentos" (g.n.).

Na prática, o magistrado decretou uma recuperação judicial antecipada das Lojas Americanas, o que é possível. Mas, o que se vê às escâncaras, é a ilegal retroatividade da decisão, olvidando contratos válidos e atos jurídicos perfeitos.

Aliás, falando ao jornal O Globo, o abalizado advogado Thomas Felsberg esclarece, quanto a isso, que não há previsão legal para que a cautelar tenha efeito anterior ao pedido das Lojas Americanas.

Diga-me com quem andas... 

O “escândalo contábil” seria uma surpresa, não fosse o fato de que o maior acionista da empresa é o grupo 3G Capital.

Formado por três dos homens mais ricos do país, com fortunas estimadas pela Forbes que somam R$ 180 bilhões, o 3G Capital está envolvido em "peripécias" semelhantes.

De fato, em 2021, a Kraft-Heinz, do mesmo 3G Capital, viu-se obrigada a pagar US$ 62 milhões à SEC por... por... ganha uma migalha quem disser “inconsistências em lançamentos contábeis”.

Como se vê, não será difícil resolver o caso das Lojas Americanas. Sim, basta que os proprietários, entre eles os três bilionários do 3G, tirem os escorpiões do bolso e capitalizem a empresa.

Enquanto isso não se dá, que a Justiça brasileira aja com a mesma severidade que os ianques.

Ou seja, que o Brasil trate as Americanas, da mesma forma que os americanos trataram os brasileiros.

  • Processo: 0803087-20.2023.8.19.0001

Patrocínio

Patrocínio

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

ADRIANA MARTINS SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA
ADRIANA MARTINS SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

Nosso escritório é formado por uma equipe de advogados especializados, nas áreas mais demandas do direito, como direito civil, trabalhista, previdenciário e família. Assim, produzimos serviços advocatícios e de consultoria jurídica de qualidade, com muito conhecimento técnico e jurídico. A...