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Muito antes de Varginha...

Em 1956, advogado disse que foi abduzido por ETs; conheça a história

Caso integra acervo oficial sobre objetos voadores não identificados.

Da Redação

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Atualizado às 17:19

Muito antes de o caso "ET de Varginha" se consolidar como referência no imaginário brasileiro, um episódio ocorrido no litoral paulista já havia levado o tema dos objetos voadores não identificados para além do terreno da curiosidade popular.

Em 16 de junho de 1956, o advogado e professor de Direito João de Freitas Guimarães, então docente da Faculdade Católica de Direito de Santos/SP, afirmou ter vivido uma experiência de abdução por tripulantes de uma nave desconhecida na praia de São Sebastião/SP.

O relato foi concedido inicialmente ao Canal 13 da televisão carioca, em agosto de 1957, e posteriormente reiterado à SBEDV - Sociedade Brasileira de Estudos sobre Discos Voadores.

A narrativa está registrada em documento que hoje integra o acervo público sobre OVNIs do Arquivo Nacional, órgão vinculado ao ministério da Justiça.

 (Imagem: Arte Migalhas)

Em 1956, o advogado João de Freitas Guimarães afirmou ter sido abduzido por extraterrestres em São Sebastião/SP.(Imagem: Arte Migalhas)

Segundo o depoimento, o episódio teria ocorrido quando o professor esteve em São Sebastião/SP a trabalho.

Após encontrar o Fórum fechado, hospedou-se em um hotel e saiu para caminhar pela praia no início da noite.

Por volta das 19h10, ao observar o mar entre Ilhabela e São Sebastião, disse ter visto um jato d'água emergir do oceano, seguido da aparição de um objeto de formato arredondado que se dirigiu à praia.

De acordo com o relato, o artefato teria pousado com o auxílio de um trem de aterrissagem e, de seu interior, teriam saído dois homens descritos como altos, de pele clara, cabelos louros e vestindo macacões verdes.

Embora não houvesse comunicação verbal, o professor afirmou ter percebido uma interação de natureza telepática, sentindo-se convidado a entrar na nave.

Detalhes da nave

Freitas Guimarães narrou que, ao ingressar no objeto, encontrou um terceiro tripulante e que, logo após o fechamento da porta, a nave teria decolado.

Durante o trajeto, descreveu a presença de água nas vigias, explicada, segundo ele, pelos tripulantes como efeito de um sistema de rotação e filtragem de raios que criaria condições de semivácuo.

O advogado relatou ainda a travessia por regiões escuras do espaço, áreas repletas de estrelas e uma camada de coloração violeta, momento em que teria sido informado de que a nave deixava a atmosfera terrestre.

No interior, observou um painel circular com três agulhas sensíveis, cuja vibração aumentaria conforme a nave se afastava da Terra, supostamente guiada por forças magnéticas.

Ao retornar, afirmou ter percebido que seu relógio havia parado, estimando que a experiência teria durado entre 30 e 40 minutos.

Um "bolo" nos ETs

Ainda segundo o documento, os supostos tripulantes teriam combinado um novo encontro para 13 de agosto de 1957, no mesmo local e horário, utilizando referências simbólicas ligadas a constelações para indicar a data.

O professor declarou, porém, que decidiu não comparecer após a ampla divulgação do caso, temendo tumultos e a presença de curiosos.

Ele relatou também ter sido advertido por um coronel da Aeronáutica de que aviões de caça estariam de prontidão no local.

Apesar de sua ausência, afirmou ter tomado conhecimento de testemunhos públicos, exibidos posteriormente pela TV Tupi de São Paulo, segundo os quais um objeto semelhante teria sido visto na data marcada, sobrevoando a região.

A narrativa ganhou repercussão, principalmente porque o advogado era renomado. O periódico "A Noite", do Rio de Janeiro, noticiou o episódio:

 (Imagem: A Noite)

Jornal "A Noite" noticiou o episódio narrado pelo advogado.(Imagem: A Noite)

Arquivo Nacional

Décadas depois, o relato foi incorporado ao Fundo Objeto Voador Não Identificado - OVNI, sob guarda do Arquivo Nacional, conjunto que reúne documentos produzidos principalmente no âmbito do Comando da Aeronáutica entre 1952 e 2016.

O acervo integra o SIAN - Sistema de Informações do Arquivo Nacional e reúne registros históricos de avistamentos e comunicações aéreas preservados como documentos administrativos e testemunhais.

A própria instituição ressalta que a classificação "OVNI" não implica reconhecimento de origem extraterrestre, mas apenas a identificação inicial de fenômenos não explicados de forma imediata.

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