Sob gritos de "sem anistia", Lula veta projeto sobre penas do 8/1
Veto foi assinado durante cerimônia que marcou os três anos dos atos golpistas.
Da Redação
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Atualizado às 12:35
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o PL da dosimetria (2.162/23), aprovado pelo Congresso Nacional, que alterava a dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
O veto foi formalizado nesta quinta-feira, 8, durante cerimônia que marcou os três anos da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, em meio a manifestações do público com gritos de "sem anistia".
A cerimônia foi realizada em um dos prédios atingidos pelos atos de vandalismo e contou com a presença de autoridades dos Três Poderes, além de convidados.
Veja o momento:
Pouco antes de formalizar o veto, Lula elogiou a atuação do STF no julgamento dos envolvidos nos ataques, afirmando que a Corte conduziu os processos com rigor jurídico e independência, apesar de pressões e ameaças.
Segundo o presidente, a atuação do STF fortaleceu a democracia brasileira e será reconhecida pela história.
No discurso, Lula também destacou a relação do Executivo com o Congresso Nacional, ressaltando que, apesar de seu partido ter uma bancada reduzida, o governo conseguiu aprovar medidas relevantes.
A fala ocorreu sem a presença dos presidentes da Câmara e do Senado, que não participaram da solenidade por estarem em seus Estados de origem.
O presidente classificou o 8 de janeiro como marco decisivo para a democracia brasileira.
Para ele, o episódio representou a derrota de grupos que defendiam a ruptura institucional, a violência política e a supressão de direitos.
Lula afirmou ainda que os ataques servem como alerta permanente de que a democracia exige vigilância constante e não pode ser tratada como uma conquista definitiva.
Resposta firme do Estado
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a distinção central no atual cenário político está entre aqueles que respeitam a democracia e os que atentam contra ela.
Para Alckmin, crimes contra a ordem democrática exigem resposta firme do Estado, sem relativizações.
Sem perdão
Na mesma linha, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, destacou que crimes contra o Estado de Direito não prescrevem e não podem ser objeto de perdão, indulto ou anistia.
Segundo afirmou, a responsabilização dos autores é essencial para preservar as instituições.



