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Um longo caminho

Em toda a história, só 36 mulheres ocuparam vagas nas Cortes Superiores

Levantamento mostra que, ao longo da história, apenas 29 mulheres distintas ocuparam cadeiras no STF, STJ, TST, TSE e STM.

Da Redação

sexta-feira, 6 de março de 2026

Atualizado às 07:56

Em mais de dois séculos de história das Cortes superiores brasileiras, apenas 36 mulheres ocuparam cadeiras no STF, STJ, TST, TSE e STM. Como algumas ministras passaram por mais de um tribunal, o número de mulheres distintas é ainda menor: 29 brasileiras diferentes chegaram ao topo do Judiciário.

O dado expõe a baixa presença feminina nas estruturas de cúpula do sistema de Justiça - realidade que não se restringe ao Poder Judiciário, mas alcança também os órgãos de controle.

Na última semana, o ministro Bruno Dantas, do TCU, defendeu a indicação de uma mulher para a vaga aberta no tribunal. Em artigo, destacou que, desde a criação do TCU, em 1893, apenas duas mulheres ocuparam assento no plenário - Élvia Castelo Branco e Ana Arraes, aposentada em 2022. Atualmente, os oito ministros em exercício são homens.

"Somos, hoje, oito ministros e um assento vago. Todos os que ocupam cadeira são homens. Esse dado, por si só, é uma sentença", afirmou.

Para Dantas, o cenário é reflexo do chamado "efeito tesoura", expressão utilizada para descrever a interrupção da ascensão feminina nos níveis mais altos das carreiras institucionais.

O diagnóstico, contudo, como visto, não se limita ao TCU e encontra paralelo nas demais Cortes superiores do país.


No Supremo Tribunal Federal, criado em 1891, apenas três mulheres foram nomeadas ministras ao longo de toda a sua história: Ellen Gracie, em 2000; Cármen Lúcia, em 2006; e Rosa Weber, em 2011.

Com a aposentadoria de Rosa Weber, em 2023, a Corte voltou a ter apenas uma mulher em sua composição. Atualmente, das 11 cadeiras do STF, somente uma é ocupada por ministra -Cármen Lúcia.


Instalado em 7/4/89, o Superior Tribunal de Justiça teve, desde então, 105 ministros em sua composição. Desse total, apenas 10 foram mulheres, o que representa cerca de 9,5% das nomeações ao longo da história da Corte.

A primeira mulher a tomar posse foi Eliana Calmon, em 1999. Também integraram o Tribunal as ministras Denise Arruda, Laurita Vaz e Assusete Magalhães.

Atualmente, ocupam cadeiras no STJ Nancy Andrighi, Regina Helena Costa, Daniela Teixeira, Isabel Gallotti, Maria Marluce Caldas e Maria Thereza de Assis Moura, em um colegiado composto por 33 ministros.

Ao longo dos anos, ministras chegaram a ocupar cargos de destaque - como a presidência do Tribunal e a Corregedoria Nacional de Justiça -, mas a presença feminina permaneceu proporcionalmente reduzida em relação ao total de cadeiras da Corte.


No Tribunal Superior do Trabalho, desde 1946, 157 ministros já passaram pela Corte. Desse total, 11 foram mulheres, o que corresponde a aproximadamente 7% das nomeações.

Entre as que integraram o Tribunal estão Regina Fátima Abrantes Rezende Ezequiel, Cnéa Cimini Moreira de Oliveira, Maria de Assis Calsing e Rosa Weber.

Atualmente, ocupam cadeiras na Corte trabalhista Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, Dora Maria da Costa, Delaíde Alves Miranda Arantes, Liana Chaib, Morgana de Almeida Richa, Kátia Magalhães Arruda e Maria Helena Mallmann.

Com 27 ministros em sua composição, o TST é hoje o tribunal superior com maior proporção feminina: sete cadeiras são ocupadas por mulheres, o equivalente a cerca de 26% do colegiado. 


Criado pelo Código Eleitoral de 1932, extinto em 1937 e restabelecido em 1945, o Tribunal Superior Eleitoral é composto por sete ministros - três oriundos do STF, dois do STJ e dois juristas indicados pelo presidente da República a partir de lista tríplice do Supremo.

Apesar da rotatividade característica da Corte, cujos mandatos são de dois anos, a presença feminina sempre foi reduzida.

Ao longo de mais de nove décadas de funcionamento da Justiça Eleitoral, apenas nove mulheres integraram o TSE como ministras efetivas: Ellen Gracie, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Nancy Andrighi, Laurita Vaz, Maria Thereza de Assis Moura, Isabel Gallotti, Luciana Lóssio e Estela Aranha.

Considerando que mais de 170 ministros já passaram pela Corte desde 1932, as mulheres representam cerca de 5% da composição histórica.


No Superior Tribunal Militar, a presença feminina é ainda mais recente. Criado em 1808, o tribunal completa 218 anos em 2026 e só passou a contar com uma mulher em sua composição em 2007, quando Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha foi indicada para a Corte.

Em março de 2025, ela tomou posse como primeira mulher presidente do STM em toda a história do tribunal.

O STM é composto por 15 ministros, sendo dez militares (quatro do Exército, três da Marinha e três da Aeronáutica) e cinco civis.

Durante anos, Maria Elizabeth foi a única mulher no colegiado.

Em 2025, o presidente Lula indicou a advogada Verônica Abdalla Sterman para integrar a Corte na vaga destinada à advocacia, indicação aprovada pelo Senado.

 

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