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Operação Compliance Zero

PF prende pai de Daniel Vorcaro por suposta atuação em esquema do Master

Henrique Vorcaro foi detido em Belo Horizonte por ordem do ministro André Mendonça.

Da Redação

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Atualizado às 10:32

A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira, 14, Henrique Vorcaro, pai do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, em Belo Horizonte/MG. A prisão ocorreu na sexta fase da operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras e ocultação patrimonial ligadas ao Banco Master.

A ordem foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, relator do caso. Investigadores suspeitam que Henrique Vorcaro integrava o suposto esquema e teria atuado em movimentações relacionadas ao patrimônio do filho.

A nova fase mira integrantes da chamada “A Turma”, apontada como uma estrutura de coerção montada sob o comando do ex-banqueiro para vigiar, intimidar e ameaçar críticos, autoridades e jornalistas. O cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, presos em março em outra fase da Compliance Zero, fariam parte do grupo.

Segundo a PF, esta etapa busca aprofundar as investigações sobre organização criminosa suspeita de praticar intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos informáticos.

Na operação, policiais Federais cumprem medidas determinadas pelo STF em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. A decisão também determinou o afastamento de investigados de cargos públicos, além do sequestro e bloqueio de bens.

São investigados os crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.

 (Imagem: Reprodução/Redes sociais | Arte Migalhas)

PF prende pai de Daniel Vorcaro em investigação sobre Banco Master.(Imagem: Reprodução/Redes sociais | Arte Migalhas)

Henrique Vorcaro é empresário mineiro dos setores de infraestrutura e construção. Ele fundou e lidera o Grupo Multipar, conglomerado com atuação em engenharia, energia, agronegócio e mercado imobiliário.

O grupo ganhou espaço principalmente em contratos ligados à infraestrutura e a obras de grande porte em Minas Gerais.

Atuação estrutural

Na decisão, o ministro André Mendonça afirmou que há “quadro indiciário robusto” de existência de uma organização criminosa estruturada em dois núcleos: “A Turma”, voltada a ameaças, intimidações, obtenção de dados sigilosos e monitoramento clandestino, e “Os Meninos”, responsável por ataques cibernéticos e invasões telemáticas.

Segundo o relator, Henrique Vorcaro não aparecia apenas como pai de Daniel Vorcaro, mas como integrante ativo da engrenagem investigada. O ministro afirmou que os elementos reunidos indicam que ele atuava como “demandante, beneficiário e operador financeiro do núcleo ‘A Turma’”.

Mendonça destacou que conversas extraídas do celular do policial federal aposentado Marilson Roseno indicariam que Henrique Vorcaro continuou “solicitando serviços ilícitos e providenciando recursos para a manutenção do grupo mesmo após as primeiras fases da Operação Compliance Zero”.

O ministro também citou diálogos que apontariam repasses financeiros destinados ao grupo. Em um dos trechos reproduzidos na decisão, Henrique Vorcaro teria informado que enviaria “400”, valor que, segundo a PF, seria compatível com a quantia mensal destinada à manutenção da estrutura criminosa.

Para o relator, os elementos apontam “relação estável de troca”, na qual Henrique Vorcaro financiaria o grupo e, em contrapartida, utilizaria seus serviços ilícitos.

A decisão ainda menciona que Henrique Vorcaro teria trocado números telefônicos com frequência e passado a utilizar linha internacional registrada na Colômbia após fases anteriores da operação. Para Mendonça, as circunstâncias “se harmonizam com o padrão de ocultação e precaução normalmente associado a estruturas criminosas sofisticadas”.

O ministro também apontou indícios de tentativa de obtenção de informações sigilosas sobre investigações envolvendo Henrique Vorcaro. Segundo a decisão, integrantes da estrutura teriam recorrido a policiais federais para consultar dados internos relacionados a inquéritos de interesse do empresário.

Ao justificar a prisão preventiva, André Mendonça afirmou que há indícios de atuação contínua da organização criminosa, risco de reiteração delitiva e possibilidade de destruição de provas. Segundo o relator, os investigados poderiam utilizar “sua rede de influência para encobrir ilícitos, coagir testemunhas com o emprego de violência, ocultar dados e destruir provas”.

Movimentação bilionária

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano, também por determinação do ministro André Mendonça.

Desde o início das investigações, já havia suspeitas de envolvimento do pai do ex-banqueiro nas fraudes. Henrique Vorcaro era presidente da Multipar, empresa que movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025 exclusivamente entre contas ligadas ao dono do Banco Master, segundo o Coaf - Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

Para o Conselho, a movimentação sugere tentativa de ocultação patrimonial.

Leia a decisão.

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