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Sistemas internacionais

Lei cria departamento no CNJ para monitorar decisões de direitos humanos

Nova estrutura acompanhará o cumprimento de sentenças e recomendações de organismos internacionais dirigidas ao Brasil.

Da Redação

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Atualizado às 15:23

Foi publicada nesta quarta-feira, 17, a lei 15.434/26, que cria, no âmbito do CNJ, o Departamento de Monitoramento e Fiscalização das Decisões dos Sistemas Internacionais de Direitos Humanos (DDH).

O órgão será responsável por acompanhar a implementação de decisões, sentenças e recomendações emitidas por organismos internacionais de proteção aos direitos humanos em relação ao Brasil, além de atuar para prevenir novas condenações internacionais. Também caberá ao departamento fiscalizar a aplicação de parâmetros de direitos fundamentais e coordenar a rede de unidades de monitoramento criada no âmbito do Judiciário.

A norma prevê ainda a promoção de iniciativas voltadas ao acesso à Justiça, incluindo o uso de tecnologias digitais e inteligência artificial em conformidade com normas nacionais e internacionais de direitos humanos.

O DDH ficará vinculado à presidência do CNJ e será coordenado por um juiz auxiliar. O Conselho poderá firmar acordos de cooperação com instituições públicas e privadas, nacionais e internacionais, e contratar especialistas para apoiar suas atividades.

 (Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Lei cria departamento no CNJ para monitorar decisões internacionais de direitos humanos.(Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Veto

Ao sancionar a lei, o governo vetou dispositivo que atribuía ao departamento poderes para exigir o cumprimento de decisões e recomendações internacionais, solicitar informações a órgãos públicos e emitir orientações e notas técnicas.

Segundo a mensagem de veto, a medida invadiria competências do Poder Executivo relacionadas à condução da política externa e à atuação do Estado brasileiro perante organismos internacionais.

Leia a íntegra:

LEI Nº 15.434, DE 16 DE JUNHO DE 2026

Cria, no âmbito do Conselho Nacional de Justiça, o Departamento de Monitoramento e Fiscalização das Decisões dos Sistemas Internacionais de Direitos Humanos (DDH).

O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no  exercício  do  cargo  de  PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Fica criado, no âmbito do Conselho Nacional de Justiça, o Departamento de Monitoramento e Fiscalização das Decisões dos Sistemas Internacionais de Direitos Humanos (DDH).

§ 1º Constituem atribuições do DDH, entre outras correlatas que poderão ser estabelecidas administrativamente:

I - monitorar a implementação das decisões e das recomendações emanadas dos Sistemas Internacionais de Direitos Humanos proferidas em relação à República Federativa do Brasil, bem como atuar para o seu efetivo cumprimento e para a prevenção de novas condenações internacionais;

II - acompanhar e fiscalizar a implementação de parâmetros de direitos fundamentais estabelecidos pelos Sistemas Internacionais de Direitos Humanos, inclusive pela promoção do controle de convencionalidade no âmbito do Poder Judiciário;

III - coordenar, na qualidade de órgão central, a rede de Unidades de Monitoramento e Fiscalização das Decisões dos Sistemas Internacionais de Direitos Humanos, no âmbito do Poder Judiciário;

IV - (VETADO);

V - promover e apoiar a universalização do acesso à justiça e a adoção de tecnologias digitais e de inteligência artificial em conformidade com as normas e parâmetros nacionais e internacionais de direitos humanos; e

VI - promover ações, projetos e políticas judiciárias de direitos humanos, considerados os parâmetros normativos e as boas práticas nacionais e internacionais.

§ 2º Para os fins desta Lei, entende-se por Sistemas Internacionais de Direitos Humanos o conjunto de normas, órgãos e mecanismos de proteção e promoção dos direitos humanos instituídos tanto no âmbito global, sob a égide da Organização das Nações Unidas (ONU), quanto no âmbito regional interamericano, vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA), abrangendo tratados, convenções e protocolos, bem como decisões, sentenças, recomendações, medidas de urgência, pareceres consultivos e relatórios emanados de seus comitês, comissões e cortes de justiça.

§ 3º Para a consecução dos objetivos institucionais do DDH, o Conselho Nacional de Justiça poderá:

I - estabelecer vínculos de cooperação e intercâmbio com órgãos e entidades públicas ou privadas, nacionais, estrangeiras ou internacionais, no campo de sua atuação; e

II - celebrar contratos com pessoas físicas e jurídicas especializadas.

§ 4º A atuação do DDH dar-se-á sem prejuízo das competências atribuídas aos demais órgãos integrantes da administração pública.

Art. 2º O DDH será supervisionado pelo Presidente do Conselho Nacional de Justiça e coordenado por 1 (um) juiz auxiliar por ele nomeado.

Art. 3º As despesas decorrentes da aplicação desta Lei correrão à conta dos créditos consignados à unidade orçamentária do Conselho Nacional de Justiça no orçamento geral da União.

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 16 de junho de 2026; 205º da Independência e 138º da República.

GERALDO JOSÉ RODRIGUES ALCKMIN FILHO

Janine Mello dos Santos

Maria Laura da Rocha

 

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