Deolane e Marcola viram réus por organização criminosa e lavagem do PCC
Denúncia aponta uso de transportadora para ocultar recursos da facção e distribuí-los a integrantes do grupo.
Da Redação
quinta-feira, 18 de junho de 2026
Atualizado às 14:45
A Justiça de São Paulo tornou réus a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outras quatro pessoas acusadas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro do PCC.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, a organização utilizava uma empresa de transportes para movimentar e ocultar recursos da facção entre 2018 e 2025.
Empresa teria sido usada para distribuir valores
Segundo a acusação, a estrutura era operada por Ciro Cesar Lemos, condenado por organização criminosa. O Gaeco - Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado afirma que ele administrava uma transportadora utilizada para dissimular a origem de valores obtidos pelo PCC e reinseri-los na economia formal.
As investigações apontam que Lemos recebia orientações de Marcola e de seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, apontado como uma das lideranças da facção, para distribuir recursos entre integrantes do grupo.
Também se tornaram réus Everton de Sousa, apontado como operador financeiro da organização, além de Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, filhos de Alejandro. Conforme o Ministério Público, Leonardo e Paloma estão foragidos no exterior.
Acusação envolve depósitos e empresas no exterior
De acordo com o Gaeco, Deolane recebia depósitos fracionados provenientes da transportadora em contas de sua titularidade, o que teria contribuído para ocultar a origem dos recursos.
Em nota, o órgão afirmou que a influenciadora planejava reestruturar suas empresas e transferi-las para fundos sediados fora do país. Para os investigadores, a medida seria utilizada para viabilizar a lavagem de dinheiro de integrantes do PCC.
Ainda segundo a acusação, Everton de Sousa supervisionava o fluxo financeiro e as prestações de contas do grupo. Já Leonardo e Paloma recebiam parcelas dos rendimentos ilícitos por determinação de Alejandro. Caberia a Paloma orientar a distribuição dos valores a partir das informações transmitidas pelo pai.
Embora estejam presos há anos, Marcola, detido desde 1999, e Alejandro, preso desde 2006, continuariam exercendo influência sobre as atividades da facção. Segundo o Ministério Público, essa atuação ocorreria por meio de familiares, advogados, outros detentos e redes clandestinas de comunicação.
Deolane permanece presa. Nesta terça-feira, 9, a Justiça negou pedido de habeas corpus apresentado por sua defesa.