Trans são vetadas de disputas femininas escolares nos EUA, decide Suprema Corte
Decisão unânime valida leis estaduais que restringem a participação com base no gênero biológico e reforça política defendida por Donald Trump.
Da Redação
quarta-feira, 1 de julho de 2026
Atualizado às 10:49
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que os Estados podem impedir a participação de meninas e mulheres transgênero em competições esportivas femininas realizadas por escolas e universidades.
Em decisão unânime, os nove ministros entenderam que leis adotadas por Idaho e Virgínia Ocidental não violam a Constituição nem a legislação federal que proíbe discriminação por sexo na educação.
O julgamento reverteu decisões de instâncias inferiores que haviam garantido o direito de estudantes trans de competir conforme sua identidade de gênero. Com isso, as normas estaduais voltam a produzir efeitos.
Leis estaduais foram consideradas válidas
O voto do relator, ministro Brett Kavanaugh, concluiu que os Estados têm competência para reservar as categorias esportivas femininas às pessoas do gênero biológico feminino. Segundo ele, essa política não afronta o Título IX, lei federal que combate a discriminação sexual nas instituições de ensino.
Como o entendimento foi unânime, até os ministros identificados com a ala liberal acompanharam o relator.
A decisão também fortalece legislações semelhantes aprovadas em mais de vinte estados norte-americanos governados por republicanos, que estabeleceram restrições à participação de atletas trans em competições femininas.
Questão permanece aberta em outros estados
Apesar do alcance do julgamento, a Suprema Corte não resolveu todas as disputas envolvendo o tema. Permanecem em tramitação ações que questionam normas de Estados como Califórnia e Connecticut, onde atletas transgênero podem competir de acordo com sua identidade de gênero.
Esses processos deverão continuar sendo analisados separadamente, já que envolvem legislações distintas das examinadas pela Corte.
Repercussão política
A decisão representa uma vitória para o presidente Donald Trump, que transformou o tema em uma das pautas de seu governo. Em 2025, ele assinou um decreto determinando a exclusão de atletas trans de competições esportivas femininas em escolas e universidades.
Após o julgamento, Trump comemorou o resultado em sua rede social, Truth Social, afirmando que a Suprema Corte decidiu contra a participação de homens em esportes femininos.
O debate sobre a participação de atletas trans também ganhou espaço em outras instituições dos Estados Unidos. Nos últimos meses, o Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA passou a adotar regras que restringem a presença de mulheres trans em competições femininas, em meio ao avanço de políticas conservadoras sobre o tema no país.