Advogado acusa PMs de agressão após questionamentos sobre OAB digital
Causídico afirma que foi espancado e arrastado por policiais; corporação alega desacato e resistência à abordagem.
Da Redação
sexta-feira, 10 de julho de 2026
Atualizado às 18:03
O advogado Marco Antônio de Souza acusa policiais militares de agredi-lo após um agente questionar a validade de sua carteira digital da OAB durante uma ocorrência, na noite desta quinta-feira, 9, em Ribeirão Preto/SP.
A PM nega a agressão e afirma que o profissional desacatou os agentes e resistiu à abordagem.
Segundo informações da EPTV/g1, o causídico foi chamado ao bairro Ipiranga para acompanhar familiares de uma pessoa abordada pelos policiais.
De acordo com Marco Antônio, a confusão começou quando ele apresentou a identificação profissional pelo aplicativo oficial da OAB, mas um tenente exigiu o documento físico.
A ocorrência inicialmente atendida pela PM envolvia suspeitas de receptação e adulteração de peças de motocicletas. A corporação informou que encontrou um motor de veículo furtado e uma moto com o chassi adulterado. Duas pessoas foram presas.
Carteira digital
Marco Antônio disse à EPTV que apresentou a identificação profissional por meio do aplicativo oficial da OAB, mas um tenente teria exigido a carteira física.
De acordo com o advogado, o policial também teria questionado a autenticidade do documento digital e sugerido que ele poderia ter sido produzido com inteligência artificial.
A partir daí, segundo o profissional, teve início uma discussão. Marco Antônio reconhece que, durante o desentendimento, desafiou o policial a retirar a farda para que resolvessem a questão "como homens".
O advogado sustenta, entretanto, que foi cercado e agredido com socos e chutes por vários agentes. Seu filho, de 22 anos, que o acompanhava, também teria sido atingido ao tentar intervir.
"Ele veio para cima de mim e começou a me dar soco, ele e mais oito ou nove policiais militares, a mim e meu filho", afirmou à EPTV.
Marco Antônio relata que foi algemado, arrastado e mantido no chão por aproximadamente 40 minutos, com o rosto sangrando. Depois, teria sido levado ainda algemado a uma unidade de saúde e, em seguida, à delegacia.
"Depois de 20 anos de profissão, nunca tinha passado por isso. Sempre fui muito bem tratado e muito respeitado no meio", declarou.
Versão dos policiais
A PM apresentou outra versão à EPTV. Conforme a corporação, o advogado interferiu na ocorrência, dirigiu ofensas aos agentes e continuou com a conduta mesmo depois de advertido.
Os policiais afirmaram que Marco Antônio aparentava estar sob efeito de álcool, recebeu voz de prisão por desacato e resistiu à abordagem, razão pela qual precisou ser contido e algemado.
Ainda segundo os agentes, o profissional somente teria se identificado como advogado depois de ser algemado. As lesões em seu rosto teriam ocorrido quando ele caiu durante a contenção.
O caso foi registrado como desacato, resistência e lesão corporal. A PM instaurou inquérito policial militar para apurar a atuação dos agentes, e os fatos também serão investigados pela Polícia Civil.
Manifestação da OAB
À EPTV, o presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB de Ribeirão Preto, Paulo Martins Cazon, afirmou que a carteira digital apresentada pelo advogado é válida.
Segundo ele, o documento fica disponível no aplicativo oficial da Ordem e poderia ter sido conferido pelos policiais, inclusive por meio de consulta ao cadastro da entidade.
Representantes da Comissão de Prerrogativas acompanharam o caso na delegacia durante a madrugada. A OAB também informou à EPTV que abrirá procedimento interno para apurar a conduta dos policiais e pretende discutir o episódio com o comando da PM na cidade.