Mendonça autoriza investigação contra Lulinha por tráfico de influência
Apuração envolve suspeitas de favorecimento a empresa do setor de cannabis medicinal junto ao ministério da Saúde.
Da Redação
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Atualizado às 18:56
A pedido da PF, ministro André Mendonça autorizou a abertura de inquérito para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula.
A apuração envolve suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência em tratativas relacionadas à autorização para comercialização de cannabis medicinal em programas vinculados ao ministério da Saúde.
O procedimento também alcança a empresária Roberta Luchsinger e Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", preso desde 2025 no âmbito da Operação Sem Desconto.
Segundo a representação encaminhada ao Supremo, a PF pretende apurar se houve atuação para favorecer interesses privados junto ao ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência da República.
O pedido menciona contatos entre os investigados e servidores públicos, inclusive integrantes do gabinete presidencial.
De acordo com os investigadores, há indícios de que Lulinha teria participado, ao lado de Roberta Luchsinger, de tratativas no mercado de canabidiol em benefício da World Cannabis, empresa ligada ao "Careca do INSS".
Compartilhamento de provas
Além da instauração do inquérito, a PF pediu autorização para compartilhar elementos de prova colhidos na Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes contra o INSS e tem Antonio Carlos Camilo Antunes entre seus principais alvos.
No documento enviado ao STF, os investigadores afirmam ter identificado pagamentos feitos pelo empresário à RL Consultoria, de Roberta Luchsinger.
A nova apuração deverá esclarecer a finalidade das transferências e verificar se houve eventual repasse de vantagens indevidas a agentes públicos.
Tramitação no STF
O pedido foi apresentado durante o recesso do Judiciário e encaminhado inicialmente à presidência do Supremo, então exercida em regime de plantão pelo ministro Alexandre de Moraes.
Antes de analisar o caso, Moraes solicitou manifestação da PGR.
Em parecer, o órgão afirmou que os fatos descritos indicariam possível prática criminosa sem relação direta com a Operação Sem Desconto e defendeu que o procedimento fosse distribuído por sorteio.
Com a redistribuição, a relatoria ficou com o ministro André Mendonça, que autorizou a abertura do inquérito.