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Versos jurídicos

Em versos de cordel, advogado pede avanço de processo que tramita há quase 10 anos

Processo iniciado em 2016 ainda aguarda a efetivação dos atos necessários à satisfação do crédito na fase de cumprimento de sentença.

Da Redação

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Atualizado às 15:32

Um processo que atravessou quase uma década e viu calendários virarem ganhou uma tentativa pouco convencional de impulso na 2ª vara Cível da comarca de Jaboatão dos Guararapes/PE.

Em versos inspirados na cultura nordestina, o advogado transformou a longa espera pelo desfecho da demanda em rimas sobre o tempo, a Justiça e a esperança de ver o processo finalmente avançar.

Usando elementos da literatura de cordel, a passagem dos anos serve de fio condutor para retratar a demora. A petição mistura referências ao cotidiano e à cultura nordestina, menciona os muitos invernos e secas, festas de São João, natais e eleições transcorridos desde o início da disputa e compara a persistência de quem aguarda uma resposta da Justiça à resistência do mandacaru no sertão.

Espera de quase dez anos

O caso tem origem em processo iniciado em 2016 relacionado à compra e venda de imóvel, atualmente em fase de cumprimento de sentença.

Cálculos elaborados pela contadoria judicial apontaram condenação de cerca de R$ 78,9 mil em favor da credora, além de custas e honorários. Como não houve pagamento voluntário, posteriormente foram acrescidas a multa e a verba honorária previstas no CPC.

Em junho deste ano, o juiz de Direito Bruno Jader Silva Campos constatou que as empresas executadas não haviam apresentado impugnação tempestiva nem efetuado o pagamento da condenação. O magistrado também considerou genéricas as alegações de excesso e iliquidez apresentadas pelas devedoras e rejeitou a manifestação defensiva.

Diante do inadimplemento, determinou o bloqueio de ativos financeiros pelo Sisbajud, inclusive por meio da ferramenta de repetição automática conhecida como “teimosinha”, pelo prazo de 30 dias. A medida buscava a satisfação de crédito que já alcançava cerca de R$ 100 mil. O juiz estabeleceu ainda que, caso a tentativa fosse infrutífera, a credora deveria ser intimada para indicar bens passíveis de penhora.

A ordem foi cadastrada no Sisbajud, com repetição programada até 8 de julho. Encerrado o período previsto para as tentativas de bloqueio, o advogado voltou aos autos, em agosto, para pedir que a execução tivesse prosseguimento. 

 (Imagem: Arte Migalhas)

Advogado transformou petição em versos de cordel.(Imagem: Arte Migalhas)

Pedido em versos

Foi nesse pedido de novo impulso ao processo que a defesa recorreu à literatura. Nos versos, o advogado reconheceu que a ordem de constrição já havia sido determinada, dizendo que o sistema “cumpriu parte da missão”, mas que ainda faltava um “refrão” para que a execução seguisse seu curso.

Depois da “singela homenagem à cultura nordestina”, como definiu, deixou as rimas de lado e passou aos requerimentos em linguagem jurídica tradicional.

O advogado pediu o prosseguimento do cumprimento de sentença, com a adoção dos atos executivos subsequentes à decisão que determinou a constrição de ativos. Caso as medidas já adotadas não fossem suficientes para satisfazer o crédito, requereu que o processo avançasse para outras providências executivas, de modo a evitar nova paralisação.

Por fim, invocou o princípio constitucional da duração razoável do processo, destacando que a demanda teve início quase dez anos e permanece na fase de cumprimento de sentença.

O pedido formal reforçou, assim, o que os versos já anunciavam: não se trata de exigir “pressa desmedida”, mas de fazer avançar uma execução que, segundo a petição, ainda aguarda conclusão depois de anos de tramitação.

Leia a íntegra da petição.

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