AGU pede ao STF perda de cargo de ministro do STJ acusado de assédio
Ação busca afastamento definitivo de Marco Buzzi e suspensão dos vencimentos até julgamento do Supremo.
Da Redação
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Atualizado às 08:09
A Advocacia-Geral da União acionou o STF para pedir a perda definitiva do cargo do ministro Marco Buzzi, do STJ, acusado de assédio sexual, e a suspensão imediata dos vencimentos proporcionais que ele recebe enquanto está em disponibilidade.
A ação foi ajuizada após o STJ julgar processo disciplinar contra o magistrado e aprovar proposta para que ele deixe definitivamente o Tribunal.
Acusações de assédio
Uma das acusações contra Buzzi envolve uma jovem, filha de um casal de amigos do ministro. Segundo o relato, ele teria tentado agarrá-la durante um banho de mar em janeiro deste ano, quando o grupo passava férias em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina.
Depois que o episódio se tornou público, uma ex-funcionária terceirizada do gabinete do magistrado também o denunciou por assédio sexual.
Desde o surgimento das acusações, a defesa sustenta que Buzzi não praticou qualquer ato impróprio.
Processo disciplinar
Diante das denúncias, foi instaurado processo administrativo disciplinar no STJ para apurar a conduta do ministro.
Em agosto, o plenário do Tribunal julgou o processo e reconheceu infrações disciplinares atribuídas a Buzzi. O colegiado aplicou a pena de disponibilidade, com remuneração proporcional, e aprovou proposta de perda do cargo.
O ministro permanece, assim, afastado das funções e recebe vencimentos proporcionais.
Perda do cargo
Na ação apresentada ao Supremo nesta segunda-feira, 21, a AGU busca tornar definitivo o afastamento de Buzzi e pede, enquanto o processo não for julgado, a suspensão do pagamento de seus vencimentos.
A iniciativa ocorre após o STF definir que a aposentadoria compulsória deixou de ser aplicável como sanção disciplinar máxima a magistrados após a reforma da Previdência de 2019. Nos casos em que a gravidade da conduta pode levar à perda do cargo, a medida depende de decisão judicial.
Buzzi poderá se defender no processo perante o Supremo.
Com informações da AGU.