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Racismo recreativo

Paciente negra é chamada para “cativeiro” em clínica; advogado denuncia racismo

Mulher negra teve o nome associado à expressão em painel de clínica.

Da Redação

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Atualizado às 17:40

Uma paciente negra denunciou um médico por racismo após ter o nome exibido no painel eletrônico de uma clínica acompanhado da palavra "cativeiro". O episódio ocorreu durante uma consulta em Maceió/AL.

Christiane da Fonseca estava acompanhada do marido, Rafael Gonzaga, também negro, quando aguardava atendimento com o reumatologista.

Segundo o casal, antes deles, outros pacientes haviam sido chamados pelo mesmo painel com identificações diferentes. Dois teriam sido encaminhados à "sala VIP" e outra paciente ao "cafofo". Quando chegou a vez de Christiane, porém, apareceu a palavra "cativeiro".

Em publicação na conta do Instagram, Rafael afirma que questionou imediatamente a escolha da expressão. De acordo com o relato do casal, o médico reconheceu ter escolhido as denominações e respondeu:

"Fui eu mesmo. Queria alegrar a nossa sexta-feira."

Para o casal, a situação não poderia ser tratada como brincadeira.

"Eu respondi imediatamente que aquilo não era brincadeira. Era racismo. Racismo não é humor, não é entretenimento e não é 'alegria de sexta-feira'. Racismo é crime", relatou Rafael nas redes sociais.

Ele afirmou que ele e a esposa ficaram destruídos com o episódio e questionou a associação feita no painel.

"Nossos corpos não são palco de piadas, nem espaço de recreação para racistas. Seguiremos buscando justiça", escreveu.

hasIntagram

Diante do ocorrido, o casal acionou a Polícia Militar. Os envolvidos foram conduzidos à Central de Flagrantes, onde foram colhidos depoimentos.

Posteriormente, a denúncia foi formalizada na Delegacia Especial de Crimes contra Vulneráveis Yalorixá Tia Marcelina.

"Por que com o negro foi cativeiro?"

O advogado Alberto Jorge Ferreira dos Santos, que atua no caso, classificou o episódio como racismo recreativo e chamou atenção para o contraste entre as expressões utilizadas para identificar os pacientes.

"Por que ligar a mulher negra, o homem negro, marido e mulher, ao cativeiro? É justo? Por que os outros foram Sala VIP? Por que foi Cafofo? E por que com o negro foi cativeiro?", questionou.

Para o advogado, o contexto em que a expressão foi empregada é determinante para a apuração do episódio.

Ao deixar a unidade policial, Alberto Jorge afirmou que o caso se soma a outros episódios de discriminação racial que precisam ser enfrentados.

"Estou saindo agora da Central de Polícia, denunciando mais um crime de racismo e a gente tem que dar um basta nessa situação. Estou cansado, muito cansado. A gente sempre batendo na mesma tecla de combate ao racismo."

Apesar do desabafo, afirmou que a busca por responsabilização continuará.

"Mas a gente sobrevive, com certeza. Força, determinação. É a nossa luta."

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