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Mudanças trabalhistas

Fim da escala 6x1: especialista alerta para riscos trabalhistas

Marcello Burle aponta riscos trabalhistas e recomenda diagnóstico prévio para revisar escalas, contratos, jornadas e controles de ponto com segurança jurídica.

Da Redação

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Atualizado às 19:04

O Senado aprovou, em 14/10, por 75 votos a 1, a PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. A transição ocorrerá em duas etapas: após 60 dias da promulgação, passa a valer a escala 5x2 e o limite de 42 horas semanais; 12 meses depois, a jornada cai para 40 horas. Segundo o Dieese, cerca de 26,8 milhões de trabalhadores serão beneficiados.

Para Marcello Burle, sócio sênior e gestor da Área Trabalhista do Martorelli Advogados, o principal desafio será transformar as novas regras em rotinas operacionais juridicamente seguras, sem ampliar a exposição das empresas a passivos trabalhistas.

"Não basta reduzir a carga horária. As empresas precisarão rever escalas, contratos, banco de horas e políticas de horas extras para cumprir as novas regras sem comprometer a continuidade das operações. E o prazo de 60 dias é curto para quem funciona de forma ininterrupta: quem deixar para a última hora corre o risco de fazer ajustes improvisados, que depois se convertem em ações trabalhistas", afirma Burle.

 (Imagem: Divulgação )

Marcello Burle, sócio sênior e gestor da área trabalhista do Martorelli Advogados.(Imagem: Divulgação )

Na avaliação do advogado, os desafios mais imediatos devem se concentrar em atividades que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, bares e restaurantes, saúde, transporte, segurança, vigilância e limpeza urbana. Nesses segmentos, a adequação pode exigir redistribuição de turnos, novas contratações e revisão dos modelos de cobertura das equipes, sempre respeitando a legislação e as normas coletivas aplicáveis.

O especialista também chama atenção para os regimes diferenciados de jornada, as convenções e acordos coletivos em vigor e as exceções previstas no texto, que exigirão análise caso a caso para evitar interpretações equivocadas. Segundo o advogado, MEIs, micro e pequenas empresas, que tendem a ter menos margem para contratar e reorganizar equipes, também devem acompanhar de perto eventuais regras de transição que venham a ser regulamentadas.

"Antes de mexer nas escalas, a empresa precisa fazer um diagnóstico: quantos empregados estão hoje acima de 40 horas, quais contratos e acordos coletivos terão de ser revistos e se os sistemas de controle de ponto estão preparados para a nova jornada. Esse mapeamento é o que permite montar um cronograma de adaptação realista e com segurança jurídica", finaliza.

Martorelli Advogados