Terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

 

O que ele quis é poupar...

 

1) Em nosso idioma, existem normas de correlação, de correspondência temporal ou, ainda, de consecução dos tempos verbais, que determinam a harmonização quanto ao uso dos tempos dos verbos.

 

2) De modo mais prático, isso significa que o uso de um primeiro verbo exige que o segundo verbo vá para um determinado tempo. Vejam-se os seguintes exemplos:

a) "Se é clara, a lei dispensa interpretação";

 

b) "Se for clara, a lei dispensará interpretação;

 

c) "Se fosse clara, a lei dispensaria interpretação".

3) Muitas vezes, nos dias de hoje, perde-se de vista esse paralelismo das formas verbais e se redige: "dias que não se trabalhava"; "Ela estava casada dois meses". Corrija-se:

a) "dias que não se trabalha";

 

b) "Havia dias que não se trabalhava";

 

c) "Ela está casada dois meses";

 

d) "Ela estava casada havia dois meses".

4) Como ensinam os gramáticos, a falta de simultaneidade de tempos nessas proposições configura verdadeiro galicismo (estrutura do idioma francês não aceita em nossa língua), como nos seguintes exemplos:

a) "É isso que me incomodou" (errado);

 

b) "Foi isso que me incomodou" (correto);

 

c) "É Jesus quem dizia..." (errado);

 

d) “Foi Jesus quem dizia...” (correto).

5) De modo específico para o caso da consulta, não se diga "O que ele quis é poupar...", mas "O que ele quis foi poupar..."

______


Dúvida do leitor

O leitor Rafael Pimenta envia ao Gramatigalhas a seguinte mensagem:

"Prezados, indago se gramaticalmente é correta a afirmação, consignada no Migalhas 1.118: "Em verdade, Migalhas quis é poupar os leitores de mais essa". O verbo ser também não teria que estar no passado? Um forte abraço."

Envie a sua dúvida.


Últimas gramatigalhas


Esta matéria foi colocada no ar originalmente em 22 de fevereiro de 2006.
ISSN 1983-392X

 

Notícias de destaque

 

Buscar verbetes por título
   
A B C D E F G H I J L M
N O P Q R S T U V X Z

Apoiadores



Fomentadores