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ISSN 1983-392X

Gramatigalhas

por José Maria da Costa

Como se lê? 83,47%

quarta-feira, 24 de maio de 2006

dúvida do leitor

A leitora Iracema Palombello envia-nos a seguinte mensagem:

"Prof. José Maria: como é que se diz 83,47% por extenso? A vírgula tem que ser pronunciada?"

O leitor Wilson Pinheiro Jabur, do escritório Neumann, Salusse, Marangoni Advogados, também se manifesta sobre o mesmo assunto:

"Prezado Dr. José Maria da Costa, trago duas dúvidas em uma: qual é a forma correta de se escrever por extenso 0,3%? (trinta centésimos por cento ou trinta centésimos percentuais?). Deve-se dizer por cento ou percentuais? Na expectativa de seu esclarecimento, subscrevo-me atenciosamente".

envie sua dúvida

1) Há diversas regras importantes e interessantes para a leitura dos numerais e para sua escrita por extenso, como, por exemplo, a que determina a interposição da conjunção e entre as centenas e as dezenas e entre estas e as unidades. Em decorrência dela é que o número 2.662.385 é lido e escrito por extenso do seguinte modo: dois milhões seiscentos e sessenta e dois mil trezentos e oitenta e cinco.

2) No caso das consultas, o mais lógico é pensar, por primeiro, na existência de um modo mais conceitual e apurado de dizer e escrever:

a) 83,47%: oitenta e três inteiros e quarenta e sete centésimos por cento;

b) 0,3%: três décimos por cento.

3) A par desse modo mais clássico, também se posta um outro mais simples, direto e igualmente correto:

a) oitenta e três vírgula quarenta e sete por cento;

b) zero vírgula três por cento.

4) Observe-se, porém, o que, de fato, se dá nesses casos: de cada cem unidades, estou-me referindo a 83,47 delas no primeiro caso e a três décimos de unidade no segundo caso. Por isso é que digo o número e acrescento a expressão por cento. Vê-se, porém, com facilidade, que não faz sentido substituir tal expressão pelo adjetivo percentual, o qual serviria para dar uma qualidade e não para indicar que os números referidos são extraídos de um lote de cem unidades.

5) Observe-se, por fim, que, obedecidas certas regras mínimas de correção, não parece adequado entender que as normas de Gramática devam vir para atrapalhar as questões e o próprio viver quotidiano, e sim, muito mais, para ordenar o modo de escrever e falar, a fim de que a escrita e a fala sejam efetivos instrumentos para transmissão das idéias.

Manual de Redação Jurídica
José Maria da Costa

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas.