Quarta-feira, 21 de agosto de 2019

ISSN 1983-392X

Gramatigalhas

por José Maria da Costa

A ver

quarta-feira, 31 de maio de 2006

dúvida do leitor

O leitor Tiago Zapater, do escritório Dinamarco e Rossi Advocacia, envia a seguinte mensagem ao autor de Gramatigalhas:

"Nada vi de agressivo na migalha enviada pelo já festejado Adauto Suannes associando o trato do vernáculo em petições à profusão de uma mentalidade tacanha em faculdades de direito de lamentável nível. A migalha além de pertinente é bem-humorada (Migalhas 1.295 - 18/11/05 - "Migalhas dos leitores - Gramatigalhas"). Agora, falando em susto e gramática, gostaria que o gramatigalhas explicasse o uso da expressão 'ter a ver' ou 'ter que ver' ou, como preferiu a migalheira, que se sentiu ofendida, 'ter haver'."

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1) Nada a ver é o modo correto de escrever e falar, e não nada haver. Ex.: "A presença do réu no local do crime não tem nada a ver com a prática deste".

2) Em seu tom brincalhão de criticar erros de Gramática, anota Arnaldo Niskier que "nada haver é que não tem nada a ver com a norma culta".1

3) Complementam José de Nicola e Ernani Terra que, na mencionada expressão, "não ocorre o verbo haver e sim o verbo ver precedido da preposição a". Exs.:

a) "Seu argumento não tem nada a ver com o caso" (correto);

b) "Seu argumento não tem nada haver com o caso" (errado).2

________

1Cf. NISKIER, Arnaldo. Questões Práticas da Língua Portuguesa: 700 Respostas. Rio de Janeiro: Consultor, Assessoria de Planejamento Ltda., 1992. p. 49.

2Cf. NICOLA, José de; TERRA, Ernani. 1.001 Dúvidas de Português. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2000. p. 154.

Manual de Redação Jurídica
José Maria da Costa

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.