Quinta-feira, 14 de novembro de 2019

ISSN 1983-392X

terça-feira, 9 de março de 2010

Política & Economia NA REAL n° 91

"Triângulo das bermudas" convulsionado

Com seus 42% do eleitorado brasileiro, portanto decisivos em qualquer eleição presidencial, os Estados de SP, MG e RJ são, no momento, as maiores incógnitas tanto para o governo como para a oposição em matéria de votos e preferência. Embora o senso comum veja SP como território dos tucanos de Serra, o RJ como ambiente de Lula e MG seja a única apontada por um lado e outro como "mineiramente" indefinida, o quadro é totalmente diferente.

Minas deve decidir logo

Por incrível que pareça, é de MG que pode sair a primeira definição, com esses sinais :

1. Aécio dará sinais mais do que evidentes de que vai se envolver de coração na campanha nacional tucana. Ele não tem outra saída uma vez que, por imposição de Lula, o governo fechou um pacote pesado contra sua pretensão (e extrema necessidade política) de fazer o sucessor. Num ponto lá na frente, de acordo com o correr das coisas em MG, Aécio pode até optar pela vice de Serra. Hoje, porém, essas chances são praticamente nulas.

2. Lula deu o soco na mesa - no sentido literal - e avisou aos mineiros mais interessados (Patrus Ananias e Fernando Pimentel, pré-candidatos petistas ao Palácio da Liberdade) que, em prol dos palanques de Dilma, o candidato da aliança deve ser o ministro Hélio Costa, do PMDB, atual líder das pesquisas. O PT tugiu, mas não mugiu. Com isso, além de um bom palanque os governistas acreditam, com Patrus ou Pimentel na chapa do Senado, ter cacife para enfrentar Aécio em todas as frentes. A única dúvida é quanto a sustentação de Costa, conhecido como um "cavalo paraguaio" na corrida para o Palácio da Liberdade : duas vezes saiu na frente, parecia imbatível, porém cansou na reta final. De todo modo, nas próximas semanas MG vai exigir ainda os maiores cuidados tanto dos tucanos quanto dos petistas.

Paz ameaçada em SP

O território paulista, no qual os tucanos esperam receber a maior manada de votos e botar uma grande vantagem de Serra sobre Dilma, está ficando ligeiramente minado. Um dos detalhes pouco observados na última pesquisa do DataFolha foi exatamente a diminuição da distância que separava o governador da ministra, também em SP. Os tucanos mais atilados perceberam isto e vão reforçar os movimentos pró-Serra no Estado. São as vacilações do PT paulista que ajudam. O PT está amordaçado pela decisão de Lula de dar preferência à candidatura alienígena de Ciro Gomes. Mas como Serra espera crescer nacionalmente quando aparecer de fato como candidato à sucessão de Lula, o PT espera aumentar a intenção de votos em Dilma quando o partido for para as ruas com um candidato ao Palácio dos Bandeirantes.

Tranquilidade em risco no RJ

O Rio é um território de Lula, não especificamente do PT. Pode, no entanto, trazer dores de cabeça. Há sinais de que Marina Silva, com a companhia de Fernando Gabeira como candidato a governador, pode ter na antiga capital da República um desempenho acima do que terá na média no resto do Brasil. E são votos que serão surrupiados mais de Dilma do que de Serra. O eleitor carioca gosta de coisas novas e diferentes. Além do mais, o PT está em ebulição por causa das prévias para escolher o candidato do Senado. Para complicar é preciso dar espaço para o parceiro senador Marcelo Crivella, também candidato à reeleição. Por fim, existe o fator Garotinho, para desagrado de Cabral. Por mais fim ainda, há a votação da partilha do pré-sal. A oposição tucana, no entanto, não deve tirar muitos proveitos dessa confusão governista. Embora possa ter o apoio do PV e aliados de Gabeira, o palanque preferencial de Gabeira é para Marina.

Em haver

Com o enquadramento do PT mineiro no apoio ao peemedebista Hélio Costa, o governo julga-se credor do PMDB. Um dos créditos que espera receber será a liberdade para Dilma - e Lula - escolher o seu vice. Que, de preferência, continua atendendo pelo nome de Henrique Meirelles. No BC já se dá como certa a saída de Meirelles da presidência até o dia 31 e sua substituição pelo diretor Alexandre Tombini, funcionário de carreira da instituição. Deve sair também Mário Mesquita, o último dos diretores com origem no mercado financeiro. O BC vai passar a ser dirigido totalmente por uma diretoria egressa de seus quadros.

A economia e as eleições

Pode-se dizer com relativa segurança que, caso não haja nenhum desastre mundial, a economia brasileira está num ritmo de crescimento sustentado. Trata-se de um paciente curado, mas ainda fraco, necessitando de certo tempo para ser saudável. Os últimos indicadores de atividade industrial e de consumo mostram claramente a rota ascendente. Esta é a chave fundamental que se soma à estratégia eleitoral do governo somada às particularidades da política regional. Ou seja, podemos contar com um bom ano em termos econômico, mas sobrará instabilidade eleitoral - não política - até a eleição. As forças políticas brasileira são cheias de melindres e podem contaminar a eleição, mas a economia vai bem e obrigado.

Coisa dos "muy amigos"

Machucou e preocupou, mais do que o PT está dando a transparecer, a iniciativa do promotor paulista José Carlos Blat de pedir a quebra do sigilo do petista João Vaccarri Neto, tesoureiro do partido, por conta das investigações de supostos desvios no Bancoop, do Sindicato dos Bancários de São Paulo. É munição para a oposição, com nitroglicerina. Vem se juntar a outras denúncias recentes, como a de José Dirceu e a Eletronet, de Luiz Gushiken no mesmo caso e de Fernando Pimentel no mensalão petista. Embora, para consumo externo, particularmente no caso Vaccari, pelo fato de Blat ser do MP/SP, o PT empunhe o discurso de motivações eleitorais nas denúncias, por parte da oposição, a divulgação em cadeia desses fatos, é vista por muito petistas como resultado do fogo amigo que já grassa no partido. Como há no governo e no PT a convicção de que a vitória de Dilma é coisa certa, talvez até no primeiro turno, teria começado internamente a disputa para ver quem vai ser quem num futuro governo da ministra chefe da Casa Civil. No PT tradicional, tem-se como certo de que a Dilma vai ficar dependente do partido quando chegar ao Palácio do Planalto, o que não ocorreu com Lula. E quem se sair bem na campanha vai dar as cartas. Veja-se que Dirceu, Pimentel e Vaccari eram apontados como peças-chaves na campanha da ministra. Já há refluxo nessas posições, menos ainda no caso do ex-prefeito de Belo Horizonte.

Marasmo lá fora

O ex-presidente do Fed e atual consultor da Casa Branca, Paul Volker, deu uma entrevista neste último fim de semana em Berlim e reafirmou a posição governamental de que é preciso ficar um longo período de tempo com a taxa de juros próximo a zero para que não seja abortada a incipiente recuperação da atividade econômica nos EUA. Este raciocínio cabe a todos os países da zona do euro e ao Japão. Se olharmos o desenrolar dos fatos externos veremos que os fatos novos nada mais são que outras faces dos mesmos problemas e soluções. Literalmente, não há nada de relevante que mereça menção.

Radar NA REAL

Permanecemos confiantes num bom desempenho dos diversos segmentos do mercado financeiro local e internacional. Todavia, vale relembrar que não deve haver euforia no curto prazo. Ao contrário : mesmo mantendo posições de risco, os investidores têm de ter paciência para retificar ou ratificar as suas estratégias à luz de novos fatos e indicadores. Isto demandará tempo. E tempo, no atual momento, não custa muito dinheiro uma vez que a remuneração da taxa de juros é desprezível. O pêndulo pende para uma recuperação saudável, mas no médio prazo, algo entre 12 e 24 meses. Porém, não há segurança para se falar em ciclo virtuoso até que o consumo dos EUA e da Europa se mostre sustentável. O grande risco, na verdade pouco comentado, é a China, país imerso no maior crescimento dentre as economias relevantes no mundo, mas igualmente desconhecido quando o assunto é finanças públicas e higidez do mercado financeiro. Estamos mantendo as recomendações de nosso radar

5/3/10 

TENDÊNCIA

SEGMENTO Cotação

Curto prazo

Médio Prazo

Juros ¹  

 

 

 - Pré-fixados NA

alta

alta

 - Pós-Fixados NA

alta

alta

Câmbio ²  

 

 

 - EURO 1,3632

estável/queda

estável/baixa

 - REAL 1,7894

estável/baixa

estável/baixa

Mercado Acionário  

 

 

 - Ibovespa 65.846,50

estável/queda

estável/alta

 - S&P 500 1.138,70

estável

alta

 - NASDAQ 2.226,35

estável

alta

 

(1) – Títulos públicos e privados com prazo de vencimento de 1 ano (em reais)
(2) – Em relação ao dólar norte-americano
NA – Não aplicável

Portugal Telecom vai às compras

As negociações para a aquisição por parte da PT da parcela de capital da Vivo pertencente à Telefónica, estão em fase final. Resta saber quais os efeitos que esta transação produzirá em termos mercadológicos. A PT nunca pensou igual à Telefónica sobre os planos de investimento no médio prazo. Será uma separação sem litígio, mas com uma sensação de alívio de cada parte. Além disto, dinheiro hoje é prioridade para a Telefónica que apresenta um desempenho sofrível na Espanha.

Europa e o seu FMI

O sinal mais evidente da falência do FMI são os estudos dos países-membros da Europa para a criação de seu organismo multilateral voltado para o suporte de países em crise, como no caso da Grécia. Seria uma boa oportunidade para verificarmos se as ideias europeias sobre a administração do sistema financeiro mundial realmente funcionam. Até agora, sobra conversa e nada de reformas profundas. As mesmas reformas que o FMI recomenda para os seus "clientes".

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* José Marcio Mendonça jornalista e comentarista político; editou o Caderno de Sábado, o suplemento de Cultura do Jornal da Tarde e foi chefe de redação da sucursal de Brasília dos jornais: O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde. Apresenta: A Palavra de Quem Decide na Rádio Eldorado e escreve para o Portal Estadão e no Blog: A Política como Ela é.

* Francisco Petros é economista, graduando em Direito, pós-graduado em Finanças. Trabalha há vinte e cinco anos no mercado de capitais, em instituições brasileiras e estrangeiras. Foi presidente da APIMEC - Associacao Brasileira dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais. Atualmente é membro do CSA - Conselho de Supervisão dos Analistas do Mercado de Capitais, órgão supervisionado pela CVM - Comissão de Valores Mobiliários.