Domingo, 24 de março de 2019

ISSN 1983-392X

Porandubas Políticas

por Gaudêncio Torquato

Porandubas nº 37

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006


LULA EM CAMPANHA

Lula inaugurou a campanha. Correu Estados do Nordeste para ver como as máquinas nivelam as estradas com asfalto. Isso mesmo. Não se tratava de inauguração, mas início de obra. Ver o início de uma operação Tapa-Buracos é de uma pobreza mais que franciscana de imaginação. Mas com Lula, tudo pode acontecer. Inclusive, convidar políticos da região para subir ao palanque. Inclusive, dizer com a maior cara de pau que o foguetório que começa a subir aos céus, por conta de operações de marketing espetaculoso, nada tem a ver com campanha. Inclusive, mostrar em outdoors nas ruas de São Paulo o que fez no governo e continuar a repetir : isso não é campanha. E que diacho isso é ?

TASSO E FHC, OS JUÍZES

A querela entre José Serra e Geraldo Alckmin em torno da candidatura tucana à presidência terá dois juízes e um bandeirinha : o presidente do partido, Tasso Jereissati, o nome mais importante entre os tucanos, Fernando Henrique e o governador que pode esperar mais um pouco, Aécio Neves. Se houver embate com empate, os três indicarão o rumo e o nome. Hoje, os juízes estão divididos : Tasso é Alckmin, FHC é Serra. E Aécio Neves tem um olho no norte, outro no sul. Podendo trocar a posição dos olhos, de acordo com os horizontes mais azuis que enxergar. Sobre isso, vale a pena a inferência : uma derrota tucana seria ótimo para um Aécio reeleito governador e candidatíssimo à presidente em 2010. Donde surge a pergunta : quem é o pior candidato tucano para enfrentar Lula?

ALCKMIN E A OPUS DEI

A revista Época desta semana mostra a ligação entre a família do governador Geraldo Alckmin e a Opus Dei. O governador deve se preparar para enfrentar um tiroteio que virá de adversários e até do fogo amigo entrincheirado nas bandas da Prefeitura. Será difícil desconstruir a imagem de Alckmin, pela via da vinculação com uma corrente da Igreja Católica, que tinha a predileção especial do “santo” João Paulo II.

GAROTINHO E A MÍDIA

Garotinho faz um esforço extraordinário para atrair a simpatia da cabeça da imprensa brasileira. Começa a visitar redações. Não conseguirá limpar uma imagem borrada com as tintas do populismo, egocentrismo, messianismo e outros “ismos” negativos. O marido de dona Rosinha não é confiável. Tem projeto próprio. Será difícil, mas não improvável, levar a melhor nas prévias peemedebistas. Já se disse aqui : se ganhar, não levará. Rachará o partido. Além disso, a imagem de sua passagem pela administração pública, não é das mais limpas.

RECORD VERSUS GLOBO

A TV do “sábio” da Igreja Universal, Edir Macedo, está chamando a TV Globo para o ringue. Depois de tentar atrair nomes globais, como Sandra Annenberg (que recusou o convite), está contratando alguns repórteres e uma apresentadora regional da TV Globo. E está quase fechando com o repórter Carlos Dornelles, pelo qual a TV Record pagará uma multa de rescisão de R$ 2 milhões. Como se pode concluir, a igreja macedônica tem alta grana em caixa. Ou em caixas ? Além do Ibope, tem algo mais por trás dessa disputa ? Vamos monitorar a querela.

MAIS BRIGA PELA FRENTE

P.S. A propósito, Boris Casoy, após chegar das férias em Porto Rico, terá uma pauta com direito a entrevistas e muita polêmica. Vai ter de dizer algo sobre interesses escusos em sua demissão. Com ele, o grupo que saiu da TV Record discutirá uma estratégia de lutas. Dizem que o advogado escolhido (omitimos por enquanto o nome) é um craque na área trabalhista. E um exímio perito na arte de interpretar a lei do talião : “quem com ferro fere, com ferro será ferido”.

SARNEY ISOLADO

O senador e ex-presidente da República, José Sarney, está cada vez mais isolado no PMDB. Quer porque quer adiar as prévias partidárias. Não consegue para esse intento nem mais o apoio do amigo e presidente do Senado, Renan Calheiros. Renan é matreiro : analisou as possibilidades de Lula. Não viu muito futuro. E está tirando devagar o corpo fora do território governista. Sarney sozinho não vai muito longe.

P.S. : Depois de almoçar com Lula, Renan volta atrás e queima as prévias. Ou seja, Renan muda mais uma vez de posição. A conversa com Lula deve ter rendido.

PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS

Há um candidato a presidente da República que coopta candidatos a governador de seu partido nos Estados com a promessa de que ajudará a “bancar” a campanha deles. Um deles, desconfiado, confessa ao ouvido : “quem demitiu metade do staff no meio da campanha presidencial, dando um calote enorme nos assessores, pode ser confiável ? E de onde virá a dinheirama para financiar muitas campanhas de governadores” ?

O CALOTE DE JOSÉ SERRA

O setor de serviços em São Paulo está tiririca com o prefeito José Serra. Ao assumir, disse que pegou a Prefeitura completamente destroçada financeiramente. A ex-prefeita Marta havia cancelado os empenhos, com exceção de empenhos nas áreas de educação e saúde. Serra fez letra morta da decisão da antecessora. Chamou os credores e disse que mandaria pagar R$ 100 mil por contrato no primeiro ano, devendo o restante do débito ser pago em 7 anos. Pois bem: não paga nem os R$ 100 mil combinados. E o resto ? Não se fala do resto. Há empresas quebrando. O setor de serviços está surpreso com a descoberta de que a Prefeitura está nadando no lago azul das boas finanças. Há muito dinheiro em caixa. Empresários de serviços são taxativos : Serra mentiu.

O BURACO VAI PARA O BOLSO

Esse governo Lula é mesmo incompetente. Faz um esforço agigantado para resgatar a credibilidade, mas a tarefa é sempre incompleta. O Tapa-Buracos de Lula aumenta o buraco no bolso do consumidor. Estamos falando do aumento do preço do álcool. Que influi no aumento do preço da gasolina. Que influi no aumento geral dos preços dos transportes. Que aumenta o preço dos produtos. Aumentos que estouram o bolso do consumidor.

Porandubas Políticas
Gaudêncio Torquato

Gaudêncio Torquato (gt@gtmarketing.com.br) é jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.