1) Um leitor, ao dar com um erro que lhe apontaram em Rui Barbosa, no emprego de pronome de tratamento, disse haver ficado em dúvida se tal autor não estaria usando o vós de cerimônia.
2) Como primeira premissa, deixam-se de lado questões teóricas e se fixa que um pronome de tratamento como Vossa Majestade, Vossa Senhoria ou Vossa Alteza equivale, na prática, para efeito de concordância verbal, a você (que nada mais é do que uma forma simplificada de outro pronome de tratamento, Vossa Mercê).
3) Por isso, o correto é "Vossa Excelência dirigiu com firmeza os trabalhos da sessão de hoje", porque se diz também "Você dirigiu com firmeza..."
4) Essa substituição prática também vale para a concordância nominal: o correto é "Vossa Excelência dirigiu com firmeza seus funcionários", porque se diz também "Você dirigiu com firmeza seus funcionários".
5) Feitas essas ponderações, conclui-se que contraria os princípios de concordância do pronome de tratamento o seguinte trecho de Rui Barbosa: "... augustos lábios de Vossa Majestade; e, escutando-o com a reverência devida à vossa posição..." Corrija-se: "... augustos lábios de Vossa Majestade; e, escutando-o com a reverência devida à sua posição..."
6) Uma detida análise dos exemplos e das situações, porém, demonstra que as regras de concordância do pronome de tratamento (verbal ou nominal) não se confundem com o que alguns gramáticos chamam de vós de cerimônia, que é o emprego do pronome vós (que é segunda pessoa do plural) com referência a uma só pessoa, e isso por polidez, para marcar a distância ou o apreço social. Exs.:
I) "Bem, bem! Escusai-me vós. Tendes razão, Duque.";
II) "Pai nosso, que estais no céu..."