No início do ano de 2016, fomos um dos colaboradores de uma grande matéria da Revista Veja, escrita pela jornalista Nathália Watkins, com o título: “Os Diplomados Fogem da Crise”, onde já anunciávamos a fuga de talentos do Brasil para os EUA. Dez anos depois, este êxodo continua cada vez mais intenso.
Historicamente, a imagem do imigrante brasileiro nos Estados Unidos estava atrelada a trabalhos informais e busca por subempregos. No entanto, o cenário de 2026 consolida uma mudança de paradigma que vem sendo desenhada nos últimos anos: o Brasil não exporta mais apenas força de trabalho, mas sim capital intelectual de alto valor.
A ascensão no ranking global
Em levantamentos recentes, o Brasil firmou sua posição como o 3º país que mais recebe vistos das categorias EB-1 (Extraordinary Ability) e EB-2 (Advanced Degree/Exceptional Ability), ficando atrás somente de potências demográficas como China e Índia. Este fenômeno é particularmente notável quando observamos o crescimento dos pedidos de NIW - National Interest Waiver.
Por que o interesse em profissionais brasileiros cresceu?
Existem três pilares que sustentam esse protagonismo:
- Versatilidade profissional: O profissional brasileiro é reconhecido por sua capacidade de adaptação e "resiliência corporativa", características muito valorizadas no mercado americano, especialmente em setores de tecnologia, saúde e engenharia.
- Déficit de especialistas nos EUA: Áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) nos Estados Unidos enfrentam uma escassez crônica de mão de obra qualificada, abrindo as portas para que o governo utilize o NIW como uma ferramenta de atração de talentos que possam impactar positivamente a economia nacional.
- Planejamento jurídico estratégico: A sofisticação do atendimento jurídico - com teses bem fundamentadas que provam o mérito substancial e a importância nacional do profissional - permitiu que brasileiros que antes nem cogitariam a imigração vissem o green card como uma meta tangível.
O impacto para o futuro
Essa "fuga de cérebros" gera um debate complexo no Brasil, mas, para o mercado americano, representa um influxo vital de inovação. Para os advogados que atuam na área, o desafio em 2026 é manter a qualidade das petições diante de um escrutínio cada vez maior do USCIS, que agora exige provas ainda mais robustas de que o benefício para os EUA é imediato e mensurável.
O Brasil deixou de ser apenas o país do turismo para se tornar o país dos especialistas que movem a engrenagem da maior economia do mundo.