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ANS estrutura novo eixo regulatório

Iniciativa busca ampliar a qualidade do cuidado e promover longevidade.

21/5/2026
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A saúde suplementar brasileira vive momento de transformação. Com mais de 52 milhões de beneficiários, o setor alcançou nível de maturidade que exige novo olhar sobre a forma como o cuidado em saúde é organizado e oferecido à população.

Após mais de duas décadas de atuação regulatória, a ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar inicia nova etapa para melhorar a qualidade assistencial. O objetivo é avançar de modelo centrado em procedimentos e atendimentos pontuais para lógica baseada no cuidado contínuo, coordenado e mais próximo das necessidades das pessoas.

A ANS começa a transformar essa agenda em ações concretas, estruturando um novo eixo regulatório voltado à assistência, com foco na qualidade do cuidado e na sustentabilidade do setor. Essa mudança responde a cenário demográfico e epidemiológico cada vez mais desafiador. O Brasil está envelhecendo rapidamente. A projeção é que, em 2040, uma em cada cinco pessoas tenha mais de 65 anos. Ao mesmo tempo, cresce o número de beneficiários com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, condições preveníveis, mas que, uma vez instaladas, exigem acompanhamento permanente e integrado.

Hoje, muitos pacientes ainda percorrem uma jornada fragmentada, com dificuldade de coordenação entre consultas, exames, especialistas e tratamentos. Isso pode gerar desperdícios, repetição de procedimentos e, principalmente, pior experiência para o beneficiário.

A proposta da ANS é estruturar modelo mais eficiente, preventivo e centrado no paciente. Modelo em que o beneficiário tenha referência de cuidado, acompanhamento ao longo do tempo e acesso mais organizado aos serviços de saúde.

Nesse contexto, ganha destaque o Projeto Colaborativo Cuidado Integral à Saúde, que lançou seu terceiro edital para o ciclo 2026-2027. A iniciativa reúne operadoras, serviços de saúde e instituições de excelência para desenvolver e testar novos modelos assistenciais baseados nos atributos da APS - Atenção Primária à Saúde, como a coordenação do cuidado, em formas de remuneração baseadas em valor e melhores resultado e experiência para o paciente.

A iniciativa funciona como espaço de construção conjunta de soluções regulatórias alinhadas à realidade do setor e às necessidades da população. Nesta nova fase, 15 a 50 binômios, formados por operadoras e prestadores de serviços, serão selecionados para implementar modelos de atenção coordenada em rede.

A participação das operadoras é voluntária, mas aquelas que aderirem terão a oportunidade de contribuir para a construção dos parâmetros que poderão orientar o novo eixo de regulação assistencial da ANS. A proposta é desenvolver esse processo de forma colaborativa, incorporando experiências práticas, evidências e aprendizados produzidos no próprio setor.

A expectativa é consolidar evidências e aprendizados que possam orientar futuras normas da ANS, fortalecendo uma regulação mais moderna, eficiente e conectada à experiência do beneficiário.

A participação voluntária das operadoras, nesta etapa, contribui para acelerar a adoção de práticas inovadoras e sustentáveis, ao mesmo tempo em que estimula melhorias na qualidade assistencial e nos indicadores do setor.

O foco da ANS é claro, garantir que o consumidor receba um cuidado mais integrado, preventivo e resolutivo. A regulação do futuro precisa ir além do atendimento à doença. Ela deve criar condições para que as pessoas vivam mais, com mais saúde, autonomia e qualidade de vida.

Autor

Wadih Damous Diretor-presidente da ANS.

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