A prepotência de Trump e seus asseclas em relação ao Brasil atingiu níveis inimagináveis.
Decretou as organizações criminosas que aqui atuam como terroristas, de forma unilateral, sem indagar e analisar se elas efetivamente podem ser enquadradas no conceito. Não procuraram saber o que se tem feito para combatê-las, não apontaram os atos e ações de terrorismo, que eventualmente praticam.
Terrorismo, conceito universalmente aceito, constitui uma série de ações violentas contra pessoas determinadas ou não, para criar pânico generalizado, por razões ideológicas, religiosas ou raciais. Essa definição se afasta da criminalidade organizada, na medida em que essa tem alvos certos, objetivos definidos ligados ao tráfico de entorpecentes, de pessoas ou de armas; à exploração de certas populações marginalizadas; à dominação de mercados específicos, como combustíveis, e tantos outros crimes. A marca da criminalidade organizada, em especial as citadas CV e PCC, que as distingue do terrorismo, é exatamente o fim lucrativo, sem nenhuma conotação de outra natureza.
Não há terrorismo no Brasil.
A declaração nos rotulando de país que abriga grupos terroristas tem uma nítida conotação de mando, de império, que em absoluto vai mudar a grave situação de nossa segurança. Qual o liame entre declarar no papel a condição de crime terrorista e o efetivo combate a ele. Nenhum. A não ser que queiram impor a presença da CIA, do FBI, do DEA ou outra força em nosso território.
A incabível declaração produzirá, sim, efeitos negativos à nossa economia e, principalmente, tem por escopo tentar favorecer um candidato à presidência da República. Ela surgiu da impatriótica atuação de um grupo por ele capitaneado, que atuou junto ao secretário de estado norte americano.
Ao lado de interesses políticos eleitorais, o candidato utilizou a declaração como manobra diversionista. Quis retirar o foco da mídia e da opinião pública das suas relações com o Sr. Vorcaro e sua gigantesca teia de falcatruas que constituem uma das maiores redes de corrupção construídas no Brasil.
Ademais, o candidato deseja sensibilizar os desavisados e ingênuos, dando-lhes a falsa impressão de que, uma vez eleito, estará apto a pôr fim às organizações criminosas.
Desprovidos de brios patrióticos, de sentimentos de amor à Nação, de apreço pelo povo, pela cultura, pelo modo de ser brasileiros, esses apaniguados do candidato não pensam nas consequências financeiras e econômicas para o país e para a sua gente. Caso pensem, fingem, mentem, enganam, o que é pior. Aliás, dentre eles há dois candidatos a candidato que rezam na mesma cartilha entreguista.
A lei que respalda a interferência americana nos assuntos de qualquer país sob qualquer pretexto coloca o seu atual presidente, Donald Trump, como tutor, corregedor e xerife do mundo, é daquelas leis que podem beneficiar o seu próprio país de origem como podem trazer malefícios aos que forem atingidos pelos seus efeitos. Essa lei depende das mãos e do caráter dos que a manipulam.
Há uma legislação americana que foi editada para proteger a sua economia e a sua segurança, especialmente após o 11 de setembro. No entanto, com certeza, o intuito do legislador não foi o de agredir a soberania de outras nações, com ameaças até intervencionistas.
Mesmo que as possibilidades abertas pelas leis de interferência nos assuntos nacionais não venham a se concretizar, o temor, a insegurança, o mal-estar gerados nas sociedades locais constituem por si só um mal irreparável.
Pretexto para exteriorizar um poder imperial
A ausência da verdade conceitual e prática nesse rótulo de "terrorista" é gritante e demonstra não passar de pretexto para exteriorizar um poder imperial que não esconde intenções colonizadoras, já demonstradas em outras nações recentemente - sempre e sempre com objetivos financeiros, a serem alcançados por meio de ações despóticas, que passam por cima da soberania, das peculiaridades e da autoestima de outras nações.
No entanto, mais do que estupefação e indignação com o governante estrangeiro, nos causa profunda aversão a conduta daqueles que, motivados por razões subalternas, inconfessáveis, instigaram e provocaram a manifestação norte americana. Há ainda os que os aplaudem, submissos aos que julgam terem poder, presente ou futuro. Agem por interesses, má fé, ou até ignorância, esses uma minoria.
Há de se perguntar ao Sr. Flávio qual será o próximo passo que dará contra a nação Brasileira. Por ora, como disse, parece ser um movimento diversionista, para afastá-lo do escândalo Master. Ou um lance eleitoral visando outubro. Uma vez eleito, ou antes mesmo, se contentará com a interferência dos americanos em vários das nossas questões internas ou pedirá a intervenção dos órgãos de segurança, em especial a CIA. Trata-se de uma incógnita que ele precisa esclarecer.
É conveniente que ele se lembre a diferença que há entre interferência, que já há, e intervenção que poderá até ser de caráter territorial. Rezo com fervor e até chego a achar que ele não irá a tanto. De qualquer forma, não vamos correr riscos, torçamos para que não se eleja.