O depoimento do bilionário Leslie Wexner, ex-CEO da Victoria’s Secret, ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, teve um momento inusitado nesta semana. Enquanto respondia a questionamentos sobre sua relação com Jeffrey Epstein, uma fala de seu advogado foi captada pelo microfone.
Em vídeo divulgado na quinta-feira, 19, é possível ouvir o advogado Michael Levy sussurrar: “Eu vou te matar se você responder outra pergunta com mais de cinco palavras”. Wexner riu e respondeu “ok”. Na sequência, o defensor, também entre risos, orientou o cliente a responder ao parlamentar.
Confira:
Aos 88 anos, Wexner foi convocado a prestar esclarecimentos sobre seus vínculos com Epstein, financista condenado por crimes sexuais e morto em 2019.
Durante o depoimento, admitiu ter visitado a ilha pertencente ao empresário, mas afirmou desconhecer qualquer atividade criminosa. Declarou ainda ter rompido relações com Epstein há quase 20 anos.
Principal cliente de Epstein por cerca de duas décadas, Wexner aparece em documentos do caso tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos EUA. Ele, contudo, não é acusado de crime.
A convocação ocorreu após o deputado republicano Thomas Massie afirmar que o ex-executivo é apontado pelo FBI como coconspirador de Epstein, ao lado de Ghislaine Maxwell.
Wexner é a primeira figura pública a depor no Congresso após a divulgação recente dos arquivos do caso, o que ampliou a repercussão da oitiva.
Caso Epstein
Jeffrey Epstein foi um financista norte-americano acusado de comandar um esquema de tráfico e exploração sexual de adolescentes por vários anos. Em julho de 2019, foi preso sob acusações federais relacionadas a abuso sexual de menores. Um mês depois, foi encontrado morto em sua cela em Nova York, em caso oficialmente classificado como suicídio.
O caso ganhou grande repercussão internacional em razão da extensa rede de relacionamentos de Epstein, que incluía empresários, políticos e outras figuras públicas. Documentos judiciais e registros tornados públicos ao longo das investigações ampliaram o debate sobre a dimensão de seus vínculos e possíveis responsabilidades.
Ghislaine Maxwell, apontada como colaboradora próxima, foi posteriormente condenada por participação no recrutamento e abuso de vítimas. Desde então, a divulgação gradual de arquivos oficiais tem mantido o caso sob atenção, com novos desdobramentos envolvendo pessoas citadas nas investigações.