A AGU iniciou investigação para apurar a atuação de um auditor-fiscal da superintendência regional do MTE em Sorocaba/SP que teria utilizado IA para gerar a imagem de um bode dentro de um ônibus e anexá-la a um auto de infração aplicado contra uma empresa de transporte público de Pilar do Sul/SP. A informação foi divulgada pelo Metrópoles e confirmada pelo Migalhas.
Segundo o portal, o auditor-fiscal José Urubatan Carvalho Vieira afirmou ter embarcado em um coletivo e encontrado dois animais acomodados em um banco do veículo. No relato que embasou a autuação, afirmou ter presenciado “um bode e uma cabrita, talvez filha do animal, em um banco do ônibus com cheiro insuportável”.
No mesmo documento, segundo o Metrópoles, afirmou que o proprietário dos animais estava embriagado e se recusou a conversar durante a fiscalização. Também classificou a situação como uma “cena vexatória, tanto como um elemento embriagado, como animais ‘passageiro’”, sustentando que a empresa não adotou providências diante do ocorrido nem medidas para prevenir riscos internos ou externos.
Na autuação, o auditor anexou uma imagem do bode em um ônibus, produzida por inteligência artificial. Após a lavratura do auto, o contrato de concessão do transporte público no município foi temporariamente revogado.
Versões contraditórias
Em vídeo divulgado pelo Metrópoles, gravado durante fiscalização na sede da viação, o auditor foi questionado sobre a origem da imagem. Em um primeiro momento, negou ter criado a foto com uso de inteligência artificial e disse que ela havia sido encaminhada por um morador. Em seguida, porém, mudou a versão e afirmou ter visto o animal dentro do coletivo.
A empresa, por sua vez, apresentou um dossiê com informações sobre a estrutura da garagem e as condições da frota. Sustentou, ainda, que dias antes de formalizar a multa o auditor havia publicado em rede social a mesma imagem do bode, produzida por inteligência artificial, com a legenda: “Bode é passageiro em cidade da região”. Veja abaixo:
De acordo com o portal, a empresa retomou a operação do transporte municipal sete dias após a suspensão da concessão.
No dia seguinte ao restabelecimento das atividades, despacho interno do MTE apontou estranheza na conduta do auditor. Documento assinado pela auditora e coordenadora-geral de recursos, Helida Alves Girão, indicou a improcedência do auto de infração e mencionou possível violação de padrões éticos e de boa-fé, com potencial repercussão institucional e funcional.
O processo, então, foi encaminhado a instâncias superiores para ciência e providências.