Ana Paula Frontini, titular de Cartório de Notas da Capital, assume o Colégio Notarial do Estado responsável por quase um quarto dos atos praticados do país e líder na digitalização dos serviços notariais
Pela primeira vez em 75 anos, o Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB/SP), entidade que reúne os 800 Cartórios de Notas do Estado, será presidido por uma mulher. A tabeliã Ana Paula Frontini foi eleita para comandar a instituição no biênio 2026/2028 com o desafio de aprimorar o papel dos tabeliães na extrajudicialização, marcada pelo avanço da vida digital e pela transformação na forma como patrimônio, contratos e heranças são formalizados no país.
Tabeliã desde 2005, Frontini assume ao lado de uma diretoria com forte presença feminina, formada por 15 notárias de diferentes regiões do Estado. A nova gestão se inicia em um cenário em que ativos digitais, documentos eletrônicos e manifestações de vontade online passam a exigir formalização jurídica, abrindo espaço para temas ainda pouco regulamentados, como a herança digital.
Na prática, essa mudança impacta diretamente a vida da população: desde a formalização de contratos e procurações online até a definição sobre o destino de ativos digitais, como contas, documentos e conteúdos armazenados em plataformas eletrônicas.
São Paulo concentra o maior volume de atos notariais do país e exerce papel central na transformação digital da atividade. Em 2025, foram realizados mais de 2,3 milhões de atos no Estado, o equivalente a 23,9% do total nacional. No ambiente digital, esse protagonismo é ainda maior: São Paulo responde por 32% dos atos eletrônicos do país.
"Hoje, parte relevante da vida das pessoas está no ambiente digital - e isso inclui patrimônio e relações jurídicas. O notariado precisa acompanhar essa transformação, garantindo segurança também nesse novo contexto", afirma Ana Paula Frontini.
"Assumir a presidência do CNB/SP reforça esse compromisso do nosso segmento em ampliar ainda mais a participação das mulheres, sempre com foco em um serviço mais acessível, moderno e próximo da população", completa.
A eleição ocorre em um momento de avanço da presença feminina em cargos de liderança e de transformação estrutural do notariado, impulsionada pela digitalização dos serviços e pela crescente demanda por soluções extrajudiciais mais ágeis e acessíveis à população.