A participação do Instituto Global ESG na "Conferência da Rede ODS Embrapa", realizada dia 22/4, consolidou a defesa de uma abordagem integrada e multissetorial para a inovação tecnológica voltada ao desenvolvimento sustentável.
O evento, que integra o processo preparatório da "1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)", reuniu representantes do setor público, academia, iniciativa privada e sociedade civil para discutir caminhos de implementação da "Agenda 2030" no Brasil.
Durante sua participação em painel dedicado ao tema, Ana Clara Moura, diretora de Relações Institucionais e Governamentais da instituição, apresentou uma mensagem institucional enviada pelo vice-presidente do Instituto, Sóstenes Marchezine, sócio-diretor da Arnone Advogados Associados em Brasília, que não pôde comparecer presencialmente.
No texto, Marchezine propõe uma distinção conceitual entre tecnologia e inovação, destacando a centralidade da implementação e da governança. Segundo ele, "tecnologia é a capacidade de transformar conhecimento científico, técnico e prático em solução concreta para problemas reais. Não é apenas saber. É conseguir fazer".
A mensagem também enfatiza que inovação não se confunde com novidade.
"Inovação é aplicação. É quando uma solução entra em uso e passa a gerar valor. Sem implementação, não há inovação".
No campo do desenvolvimento sustentável, o vice-presidente sustenta que a inovação deve ser orientada por propósito e gerar impacto nas dimensões econômica, social e ambiental, com mensuração e escala.
O diagnóstico apresentado pelo advogado aponta que o Brasil não enfrenta escassez de tecnologia, mas sim desafios estruturais de articulação, como integração, coordenação e governança.
Na síntese, Marchezine afirma que "inovação sem governança tende a permanecer como experimento; com governança, se converte em política pública, mercado e impacto duradouro". E conclui: "o desafio não está em inovar, mas em fazer a inovação funcionar de forma integrada, governada e com impacto real".
Ainda no contexto do debate, ao abrir sua participação, Ana Clara ressaltou a trajetória recente de cooperação com a Embrapa e o caráter estratégico dessa aproximação. "Nós estamos em uma jornada com a Embrapa, iniciada no ano passado, e estarmos juntos tem sido muito valioso para nós", afirmou. Segundo ela, o trabalho conjunto já começa a produzir entregas relevantes no âmbito do programa Embrapa ESG na Prática.
A diretora também contextualizou a atuação institucional do Instituto Global ESG, destacando sua presença em Brasília e a estrutura voltada à articulação interinstitucional. "O que nós queremos é realmente isso: que mais pessoas conheçam, que mais pessoas possam ser multiplicadores da mensagem central do Kofi Annan, do legado que ele nos deixou", disse, ao mencionar o Salão Nobre Kofi Annan como espaço de difusão de valores ligados à sustentabilidade e à governança global.
Ao longo da fala, Ana Clara enfatizou que políticas públicas eficazes exigem múltiplas perspectivas e cooperação estruturada. "Política pública assertiva, eficaz e eficiente, a gente não consegue fazer com um olhar só. É preciso realmente que a gente venha e que nós possamos dar as mãos e ampliar essa visão", afirmou.
A diretora também destacou a importância da formação de novas gerações e da abertura institucional para o engajamento de jovens lideranças. "Essa futura geração olha para os ODS com muita empatia e com muita vontade realmente de fazer acontecer", pontuou, defendendo a ampliação de espaços de participação.
Outro ponto central da intervenção foi a valorização de soluções práticas e de impacto direto na vida das pessoas. Ao comentar iniciativas de base social, Ana Clara ressaltou que a transformação pode estar em ações simples. "A transformação muitas vezes não está em algo grandioso, mas em algo pequeno e que faça a diferença", afirmou, ao exemplificar com projetos como lavanderias sociais, capazes de reduzir desigualdades no cotidiano de mulheres em contextos vulneráveis.
No contexto da "Agenda 2030", a diretora reforçou o senso de urgência e a necessidade de ampliar a mobilização institucional. "Estamos correndo contra o relógio. Que bom que temos a Comissão Nacional dos ODS trazendo essa oportunidade de conferência para Brasília", disse, destacando o papel das etapas livres como espaços de construção coletiva.
Ana Clara também enfatizou a abertura do Instituto Global ESG para novas parcerias e iniciativas colaborativas. "Toda parceria é muito bem-vinda. Todo mundo tem algo de bom a acrescentar, a somar forças", afirmou. Ao final, projetou a ampliação do alcance do movimento até 2030.
"Que possamos ocupar espaços ainda maiores e que mais órgãos e empresas promovam esse debate em seus próprios ambientes".
A diretora concluiu destacando o papel das mulheres na condução institucional da Embrapa, ao reconhecer a liderança feminina na organização.
"A Embrapa está sendo conduzida por mulheres brilhantes".