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UFMT investiga alunos de Direito por lista de colegas “estupráveis”

Universidade instaurou PAD para investigar estudantes suspeitos de criar e divulgar mensagens misóginas contra ingressantes.

6/5/2026
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UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso instaurou um PAD para investigar estudantes suspeitos de envolvimento na criação e divulgação de uma lista que classificava alunas ingressantes do curso de Direito de Cuiabá como “estupráveis”. 

A denúncia provocou indignação entre universitários e motivou manifestações organizadas por colegas da própria faculdade na última segunda-feira, 4.

Mensagens misóginas

Segundo o Centro Acadêmico VIII de Abril, conversas compartilhadas entre estudantes de Direito e de outros cursos tratavam da elaboração de uma lista classificando calouras como “estupráveis”. As mensagens também continham declarações sobre a intenção de “molestar” colegas de sala.

UFMT instaurou PAD para investigar estudantes suspeitos de criar e divulgar lista misógina contra alunas do curso de Direito.(Imagem: Reprodução)

Na nota publicada nas redes sociais, o Centro afirmou que as mensagens representam “a banalização da violência sexual e a objetificação de mulheres, reforçando uma cultura que historicamente legitima práticas de violência de gênero”.

A entidade também declarou que os fatos são incompatíveis com a formação jurídica e repudiou qualquer tentativa de relativização do conteúdo divulgado.

“É inadmissível que, no âmbito de um curso de Direito, cuja formação está intrinsecamente vinculada à defesa da dignidade da pessoa humana, da igualdade e dos Direitos fundamentais, ocorram episódios dessa natureza."

O centro acadêmico informou ainda que o posicionamento foi aprovado em assembleia geral dos estudantes da faculdade de Direito da UFMT e que seguirá acompanhando a apuração dos fatos junto às autoridades competentes.

“Esse tipo de conduta precisa ser enfrentado com seriedade, responsabilidade e posicionamento firme, justamente para impedir que episódios dessa natureza continuem se repetindo."

Após a repercussão do caso, a UFMT instaurou PAD para identificar os envolvidos e apurar eventual responsabilidade disciplinar dos estudantes suspeitos de participação nas mensagens. A instituição deverá analisar possíveis violações às normas internas da universidade e definir eventuais sanções administrativas.

Reação das instituições

A OAB/MT manifestou repúdio ao caso e afirmou que a conduta “não condiz com aqueles que optam pela missão de ser um agente do Sistema de Justiça”. Veja abaixo:

"A Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT) expressa veemente repúdio à conduta misógina de um grupo de estudantes de Direito e outros cursos da UFMT, que compartilhou "lista de alunas estupráveis".

 Essa postura além de expor universitárias a toda essa violência, que no dia a dia atinge de forma ostensiva às mulheres, não condiz com aqueles que optam pela missão de ser um agente do Sistema de Justiça.

 Com o sentimento de consternação, a OAB-MT requer da UFMT a devida apuração dos fatos e celeridade na responsabilização dos envolvidos.

 A OAB-MT se solidariza com as estudantes e se coloca à disposição para todo apoio que precisarem."

Leia a nota da universidade:

"A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) repudia veementemente qualquer manifestação, prática ou tentativa de naturalização da violência, da misoginia e de qualquer forma de violação de direitos humanos no âmbito de sua comunidade acadêmica.

A Instituição reafirma seu compromisso inegociável com a promoção de um ambiente seguro, ético, inclusivo e respeitoso para todas as pessoas, especialmente no enfrentamento à violência de gênero.

Diante dos fatos recentemente divulgados, a Faculdade de Direito informa que já foram adotadas as providências cabíveis, com a instauração de procedimento administrativo disciplinar para a devida apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos, nos termos da legislação vigente e das normas institucionais.

A Universidade permanece à disposição para colaborar com as autoridades competentes e reforça seu compromisso permanente com a construção de uma cultura de respeito, igualdade e justiça."

Confira a nota de repúdio do Centro divulgada nas redes:

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