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Ferramentas de IA ajudam a resolver problemas concretos da advocacia

Escritório adota soluções próprias de inteligência artificial para auxiliar na captação de novos clientes, reduzir tarefas repetitivas e preparar os advogados para as audiências na Justiça do Trabalho.

25/5/2026
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Com o avanço da IA - inteligência artificial, novas ferramentas de tecnologia vêm sendo usadas para estruturar e disseminar o conhecimento jurídico acumulado ao longo dos anos. As aplicações também servem para captar novos clientes, reduzir trabalho repetitivo e padronizar a qualidade de instrumentos jurídicos, tarefas até então 100% executadas por advogados.

Escritório especializado em Direito do Trabalho, o Salem Advogados, já havia desenvolvido anos atrás uma calculadora de verbas rescisórias do zero. A lógica era direta: a percepção de que um problema real poderia ser transformado em solução útil. 

A dúvida envolvendo valores dos processos trabalhistas é recorrente entre quem procura assessoria jurídica. A calculadora tornou-se um instrumento de captação de clientes, facilitou a primeira conversa e ajudou o time a qualificar melhor os casos antes de investir tempo neles.

Ferramentas de IA têm ajudado cada vez mais advogados a reduzir tarefas repetitivas e captar clientes.(Imagem: Divulgação/Imagem gerada por IA)

A calculadora foi também o ponto de partida para o desenvolvimento de outra aplicação de IA para resolver um problema recorrente: a dificuldade de recrutar profissionais qualificados, sustentar engajamento ao longo do tempo e lidar com a rotatividade, o que acaba gerando custos e perda de eficiência nos escritórios. "A rotatividade e o treinamento de novos talentos em áreas com tarefas muito manuais e repetitivas gerava atrasos, sobrecarga do time e diminuição de qualidade", explica o sócio fundador Giancarlo Salem.

Também elaborada internamente pelo escritório, a nova ferramenta serve de apoio na preparação para as audiências trabalhistas – etapa considerada estratégica em ações judiciais e que tradicionalmente depende da experiência individual de cada advogado.

A solução adotada se baseia na inteligência artificial treinada a partir do histórico de audiências conduzidas pelos sócios do escritório ao longo dos anos. A ferramenta organiza informações processuais e auxilia na estruturação de roteiros e linhas de questionamento, conforme o contexto de cada ação. 

Antes da implementação, a preparação das audiências variava conforme o tempo disponível e a experiência de cada profissional. Com a automação de parte desse fluxo, o escritório reduziu tarefas repetitivas e ampliou a consistência da preparação técnica, transformando conhecimento acumulado em um processo mais estruturado e replicável. "A IA não substitui o advogado; ela transforma experiência em padrão. O que antes dependia da memória, experiência e disponibilidade de um advogado sênior passou a virar um padrão replicável para todo o time", ressalta Giancarlo.

A partir dessa experiência, outros pontos do fluxo foram atacados com o mesmo método. A triagem de leads, que identifica quais casos merecem atenção inicial do time comercial, também foi automatizada com base nas informações do primeiro contato. E com os dados coletados durante a entrevista com o potencial cliente, a inteligência artificial passou a gerar uma estimativa de probabilidade de êxito e do valor dos honorários esperados. "Antes, o comercial podia priorizar casos por urgência, simpatia do cliente ou ordem de chegada. Com IA, o time passa a priorizar por chance de êxito e valor potencial".

Para Claudio Lensing, CEO da BT Créditos, o movimento indica uma mudança gradual na lógica operacional da advocacia trabalhista. "A adoção de inteligência artificial não parte de um projeto de inovação. Começa como tentativa de resolver problemas concretos da advocacia", afirma.

Durante muito tempo, ressalta Lensing, a discussão sobre IA no setor jurídico ficou concentrada em expectativas abstratas. "O que começamos a observar agora são escritórios aplicando tecnologia para resolver problemas objetivos de operação, escala, gestão e aplicação de conhecimento".

Fatores como alta rotatividade, excesso de tarefas repetitivas e necessidade de ganho de produtividade ajudam a explicar o avanço dessas soluções dentro da advocacia. "O diferencial não está apenas na ferramenta, mas na capacidade de transformar experiência prática em processos estruturados", destaca. 

Segundo ele, gerir pessoas está entre as três maiores dores dos sócios de escritórios trabalhistas. "Isso ressoa diretamente com o que identificamos em uma pesquisa qualitativa conduzida pela BT no fim do ano passado. As tarefas iniciais do trabalho jurídico – repetitivas, manuais e pouco estimulantes – geram desengajamento. O custo de contratar, treinar e perder profissionais é alto demais para ser ignorado", conclui o CEO.

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