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STF: Advogado autista diz ser "voz que sequer é ouvida" e se emociona

Ao sustentar no Supremo, Luiz Vilar de Araújo Neto afirmou que não queria expor a própria vida, mas que há momentos em que isso se torna necessário.

25/6/2026
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"Eu sei como é ser uma voz que sequer é ouvida". A frase marcou a sustentação oral do advogado Luiz Vilar de Araújo Neto, nesta quinta-feira, 25, durante julgamento no plenário do STF.

Autista, o causídico subiu à tribuna para representar o amicus curiae Movimento Orgulho Autista Brasil em ações que discutem restrições à isenção de impostos na compra de veículos por pessoas com deficiência.

Ao abrir a sustentação, o advogado afirmou sentir-se honrado por estar na Corte, mas explicou que não pretendia se aprofundar em questões técnicas de Direito. Segundo ele, seu objetivo era promover "um debate honesto" e compartilhar parte de sua própria história.

"Eu não me considero bom em oratória também, eu não vou aprofundar muito nas questões de Direito, porque acho que todos aqui sabem muito mais do que eu. Mas vim realmente trazer aqui o que eu me propus, que é um debate honesto, é trazer um pouco da minha história", afirmou.

O advogado disse que tentaria não se emocionar e ressaltou a dificuldade de se expor diante do plenário.

"Eu, na verdade, de coração, não queria estar aqui. Mas não porque eu não tenha extremo respeito [...], mas porque, realmente, eu não gostaria de estar nesse lugar, de estar expondo a minha vida. Mas tem momentos em que a gente precisa", declarou.

Na sequência, ele fez referência à ministra Cármen Lúcia, a quem atribuiu papel importante para que estivesse ali.

O advogado mencionou ter acompanhado julgamentos da Corte e disse reconhecer, em manifestações da ministra, a importância de vozes que buscam ser ouvidas.

"Eu queria dizer que, se eu estou aqui hoje, é por causa da senhora. Muitas vezes, eu sei como é ser uma voz que sequer é ouvida", afirmou.

Além de Cármen Lúcia, o advogado também saudou as ministras Rosa Weber e Ellen Gracie, destacando a atuação de mulheres que, segundo ele, contribuíram para os debates sobre inclusão e direitos de pessoas com deficiência.

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