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Advogado explica preparo jurídico para avanço de investimentos chineses

Ao analisar levantamento sobre o avanço do capital chinês, Leonardo Theon de Moraes destaca a necessidade de contratos, governança e compliance antes de fechar negócios.

29/7/2026
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O aumento dos investimentos chineses no Brasil tem ampliado a participação do país como destino de capital estrangeiro. Segundo o relatório "Investimentos Chineses no Brasil 2025", do CEBC - Conselho Empresarial Brasil-China, o Brasil recebeu US$ 6,1 bilhões em investimentos chineses em 2025, alta de 45% em relação ao ano anterior, tornando-se o principal destino global desse capital. 

O cenário acompanha uma tendência de fortalecimento da relação econômica entre os dois países. A ApexBrasil destaca que a China mantém a posição de principal investidor asiático no Brasil e que, entre 2015 e 2025, foram anunciados 163 projetos greenfield com capital chinês, somando US$ 12,9 bilhões e potencial para gerar mais de 35 mil empregos. O país também permanece como principal parceiro comercial brasileiro.

Para Leonardo Theon de Moraes, advogado especializado em Direito Societário, fusões e aquisições (M&A), planejamento patrimonial e sucessório e sócio do TM Associados, o movimento amplia as oportunidades para empresas brasileiras, mas também exige maior preparo jurídico para reduzir riscos e tornar negociações mais seguras, alterando o perfil das demandas jurídicas enfrentadas pelas empresas brasileiras. 

"Cada vez mais empresas brasileiras negociam com grupos chineses que possuem estruturas societárias complexas, modelos próprios de governança e uma cultura empresarial bastante diferente da ocidental. Antes mesmo da assinatura de qualquer contrato, é fundamental compreender como essas diferenças impactam a negociação e estruturar mecanismos jurídicos capazes de proteger ambas as partes", afirma.

Leonardo Theon de Moraes, sócio do TM Associados.(Imagem: Divulgação )

Segundo o advogado, um dos erros mais comuns é acreditar que a negociação internacional se resume à tradução de contratos ou à adaptação de cláusulas já utilizadas em operações nacionais. "Uma operação desse porte exige uma análise muito mais ampla. É preciso avaliar questões societárias, propriedade intelectual, proteção de dados, aspectos regulatórios, tributários e mecanismos de resolução de conflitos. Quando essa estrutura é construída desde o início, aumenta-se significativamente a segurança da operação", ressalta.

Leonardo explica ainda que a preparação também passa por processos robustos de due diligence, verificação de compliance e definição clara das responsabilidades de cada parte, especialmente em joint ventures, aquisições ou projetos industriais.

"A due diligence deixou de ser apenas uma etapa de conferência documental. Ela se tornou uma ferramenta estratégica para identificar riscos que podem comprometer toda a operação. Isso vale tanto para empresas brasileiras quanto para investidores estrangeiros."

Além da documentação, o especialista destaca que diferenças culturais costumam influenciar diretamente o sucesso das negociações. "Na cultura empresarial chinesa, a construção da relação de confiança costuma ser tão importante quanto os aspectos econômicos do negócio. Empresas que compreendem essa dinâmica conseguem desenvolver parcerias mais duradouras e reduzir conflitos ao longo da execução dos contratos".

O desafio neste contexto, segundo Leonardo, não é apenas aproveitar o momento favorável, mas garantir que o crescimento das relações comerciais aconteça sobre bases jurídicas sólidas.

"Os investimentos continuarão chegando. A diferença estará nas empresas que se prepararem adequadamente para receber esse capital, estruturando governança, contratos e processos capazes de oferecer segurança para investidores e parceiros de longo prazo".

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