A CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil manifestou preocupação com os recentes acontecimentos envolvendo o STF, a PF e outras instituições da República e defendeu que os fatos sejam esclarecidos de forma independente, imparcial e transparente.
Em mensagem intitulada "Pela verdade, pela justiça e pela preservação das instituições democráticas", a presidência da entidade afirmou que a gravidade do momento e as "legítimas interrogações" presentes na sociedade exigem serenidade, responsabilidade e respostas institucionais claras
- Veja a íntegra da mensagem.
No documento, a CNBB ressaltou que a defesa das instituições democráticas não deve servir de obstáculo à apuração de eventuais irregularidades.
Para a entidade, é justamente o esclarecimento dos fatos, com respeito ao devido processo legal, que contribui para preservar a autoridade institucional.
"Ninguém pode estar acima da lei, assim como ninguém deve ser previamente condenado sem que lhe sejam assegurados o direito de defesa e as garantias constitucionais."
Plenário do STF
Ao tratar especificamente da Suprema Corte, a CNBB defendeu que questões de elevada relevância institucional sejam submetidas ao plenário, de forma colegiada, pública e transparente, de modo que a sociedade possa acompanhar os procedimentos e conhecer os fundamentos das decisões.
A entidade também afirmou esperar que os órgãos responsáveis pelas investigações possam exercer suas atribuições "com independência, segurança e respeito às competências constitucionais".
Código de Ética
Outro ponto destacado pela CNBB foi a necessidade de ampliar mecanismos de transparência, prestação de contas, responsabilidade ética e prevenção de conflitos de interesse no Judiciário.
Nesse contexto, a entidade cobrou o avanço do Código de Ética do STF, ao considerar "oportuno" que o texto em elaboração receba o devido encaminhamento institucional, com parâmetros claros de conduta e mecanismos destinados a proteger a autoridade da Corte.
A elaboração do código foi anunciada como uma das prioridades da gestão de Edson Fachin na presidência do Supremo. Em fevereiro, na abertura do Ano Judiciário, o ministro informou que Cármen Lúcia seria relatora da proposta, concebida para tratar de temas como integridade, transparência e prevenção de conflitos de interesse. Notícias do STF.
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Eleições
A CNBB também relacionou o momento institucional ao processo eleitoral de 2026 e advertiu contra o uso político-partidário das crises e suspeitas envolvendo as instituições.
Segundo a mensagem, divergências legítimas não devem alimentar uma desconfiança generalizada, enquanto episódios sob apuração não podem ser instrumentalizados por interesses políticos. A entidade defendeu a preservação das condições necessárias para eleições "livres, serenas e confiáveis" e o respeito à vontade manifestada pelos eleitores.
Ao final, a CNBB conclamou os Poderes da República, suas autoridades e a sociedade a promoverem o esclarecimento dos fatos, rejeitando tanto a omissão diante de possíveis irregularidades quanto iniciativas destinadas a enfraquecer as instituições democráticas.
"O Brasil necessita de verdade sem manipulação, de justiça sem privilégios, de instituições que sirvam ao bem comum, de lucidez e paz."
A mensagem é assinada pelo presidente da CNBB, dom Jaime Spengler; pelos vice-presidentes dom João Justino de Medeiros Silva e dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa; e pelo secretário-geral, dom Ricardo Hoepers.
Entenda a crise
A crise no STF começou nos desdobramentos do caso Banco Master. Relator de procedimentos ligados à investigação, André Mendonça requisitou à PF informações sobre a suposta rede de influência atribuída a Daniel Vorcaro, incluindo interações com autoridades.
A análise do celular do banqueiro levou à produção de relatório que alcançou o ministro Alexandre de Moraes. Mendonça determinou que esse material fosse separado e autuado em procedimento próprio, mas a PGR questionou a validade da medida, ao sustentar que uma possível investigação de ministro do Supremo não poderia avançar sem provocação do órgão acusador e sem prévia deliberação do plenário.
A tensão aumentou após Mendonça afirmar ter sido alvo de monitoramento e determinar o afastamento preventivo de integrantes da cúpula da PF, decisão posteriormente revertida.
Com a sobreposição de decisões e o agravamento da crise institucional, o presidente do STF, Edson Fachin, passou a conduzir os procedimentos relacionados ao episódio.
Em 15 de setembro, a crise chegou ao plenário em uma sessão marcada por sucessivos embates entre os ministros. A Corte discutiu se os procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça deveriam tramitar juntos ou separadamente e chegou ao placar formal de 4 a 3 pela separação. Flávio Dino, que havia se manifestado pela reunião dos casos, pediu vista antes da proclamação definitiva, suspendendo a discussão.