O advogado Nelson Wilians teve o exercício profissional suspenso por 90 dias pela OAB/SP em meio a investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e irregularidades tributárias. Em vídeo publicado no Instagram, ele afirmou que recebeu a decisão com “profunda indignação” e anunciou que adotará medidas para contestá-la.
Na manifestação, Wilians atribuiu a suspensão às operações policiais e à repercussão dos casos na imprensa. Segundo alegou, não houve indiciamento nem abertura de processos criminais contra ele em decorrência dessas investigações.
“Não há fatos concretos que justifiquem a suspensão. A existência de investigações, por si só, não autoriza a presunção de culpa”, declarou.
O advogado sustentou que uma medida dessa gravidade exige fundamentação individualizada, respeito ao direito de defesa e observância da presunção de inocência. Também afirmou que a repercussão pública das apurações não pode substituir a análise dos fatos e das provas.
“A OAB tem o dever de apurar eventuais infrações, mas também de proteger o exercício regular da advocacia e de assegurar que acusações divulgadas pela imprensa não sejam tratadas como condenações antecipadas.”
Wilians disse que sua defesa adotará todas as medidas cabíveis para contestar a suspensão e reafirmou o compromisso com o esclarecimento dos fatos e com a demonstração da regularidade de sua atuação profissional.
Operação Arena
O advogado foi um dos alvos da Operação Arena, deflagrada em 13 de agosto pela Polícia Federal, em parceria com o MPF, a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
A operação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em cinco Estados. A Justiça também autorizou o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores.
As apurações miram um grupo empresarial suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem e o destino de recursos relacionados a jogos de azar e apostas esportivas. Entre as empresas investigadas está a PixBet.
Outras apurações
Em julho de 2026, empresas e endereços relacionados ao advogado também foram alvo de buscas na Operação Distrato, deflagrada pelo MP/SP.
A investigação apura suposto esquema de comercialização de créditos de ICMS sem lastro econômico, que teriam sido utilizados por empresas para reduzir indevidamente o recolhimento do tributo. Segundo os investigadores, os autos de infração lavrados até o momento superam R$ 3,8 bilhões.
Wilians também foi investigado no contexto da Operação Sem Desconto, que apura descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Em setembro de 2025, durante uma fase denominada Operação Cambota, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na casa e no escritório do advogado. Ele também prestou depoimento à CPI do INSS e negou participação nas fraudes investigadas.