A Lee, Brock, Camargo Advogados (LBCA) recebeu sete premiações da Análise DNA+Fenalaw 2026, em diferentes categorias. Os projetos foram reconhecidos no último dia da "Fenalaw 2026", realizada de 27 a 29/10, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.
Entre trabalhos premiados, o "Manticore" recebeu o ouro, na categoria de perícia forense contra prompt injection em documentos jurídicos. O projeto "Radar" foi contemplado com a prata, por sua atuação em inteligência de marketing em tempo real, assim como o Letramento Antirracista na Prática, voltado a uma estratégia permanente para transformar a cultura organizacional.
Na categoria bronze, foram reconhecidos quatro projetos: "Legal Market Intelligence (LMI)", que utiliza inteligência preditiva para decisões estratégicas antes do litígio; "Proxy Hunter", voltado à gestão estratégica de credores em recuperações judiciais; "SHIFT", que aplica inteligência artificial para potencializar a advocacia de ponta a ponta; e "Inteligência Meteorológica Aplicada ao Contencioso Aéreo", conhecida como "Comandante Hamilton".
Os prêmios técnicos foram recebidos pelos sócios Yun Ki Lee e Solano de Camargo. Advogados e colaboradores que participaram do desenvolvimento dos projetos também estiveram presentes na cerimônia.
Além das premiações, a LBCA participou da programação da "Fenalaw 2026" com palestras, mesa-redonda e lançamentos de livros. Os sócios Solano de Camargo e Ricardo Freitas Silveira ministraram palestras, enquanto a sócia Tereza Ribeiro participou de uma mesa-redonda.
Na Vila do Conhecimento, em 28/10, os sócios Yun Ki Lee, Ricardo Freitas e Tereza Ribeiro lançaram, em coautoria, o livro "Guia Prático para a Profissão Jurídica" (Grupo Gen, 312p.). No mesmo espaço, em 29/10, Solano de Camargo participou de uma manhã de autógrafos de seus dois últimos livros: "Engenharia de Prompts no Direito 2.0" (Thomson Reuters Revista dos Tribunais, 422p.) e "Inteligência Artificial na Advocacia" (Thomson Reuters Revista dos Tribunais, 340p.).
No auditório principal, Solano de Camargo apresentou a palestra "IA no Marketing Jurídico: Estratégia, Ética e Segurança para Gerar Valor e Crescimento". Na exposição, citou uma pesquisa recente sobre a pressão de clientes corporativos sobre escritórios de advocacia norte-americanos em relação ao uso e aos resultados da inteligência artificial. A partir dos dados, abordou a aplicação da tecnologia no marketing jurídico brasileiro.
Segundo Solano, a pesquisa apontou que 46% dos norte-americanos consultam ferramentas de IA antes de entrar em contato com um advogado. Ele também destacou que, com os mecanismos de busca passando a apresentar respostas geradas por inteligência artificial, a prioridade do marketing deixa de ser os "cliques" e passa a ser as "citações". "As pessoas se satisfazem com as respostas da IA, resultando em uma redução de 58% a 69% nos cliques em links de busca", abordou.
De acordo com o palestrante, para que um advogado apareça nas respostas geradas por IA, o conteúdo disponibilizado deve ser técnico, confiável e bem fundamentado, com referências legislativas, doutrinárias e jurisprudenciais. Conteúdos genéricos ou meramente "bonitinhos" tendem a ser ignorados pelos sistemas. Para ele, essa realidade está alinhada à regulamentação do marketing de conteúdo da OAB Federal.
"Advogados ou escritórios citados pelas IAs obtêm significativamente mais visibilidade e, consequentemente, mais de um terço dos cliques em seu conteúdo, tornando a citação um diferencial crucial no marketing jurídico", comentou.
Solano também abordou a transparência no uso da IA pelos escritórios. Segundo ele, ocultar a utilização da tecnologia é uma postura contraproducente, uma vez que pesquisas indicam que 70% dos clientes confiam ainda mais em um escritório quando ele declara explicitamente o uso de IA em determinado trabalho. A transparência na aplicação da ferramenta, seja na revisão ortográfica, na análise documental ou na pesquisa jurídica, fortalece a relação de confiança com o cliente.
A palestra também tratou das implicações éticas e regulatórias relacionadas à inteligência artificial. Solano lembrou que decisões recentes do TED - Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/SP tornaram a revisão humana de trabalhos gerados por IA uma exigência. "Não basta assinar; é necessário demonstrar um procedimento de revisão em que um advogado humano compreendeu e se responsabilizou pelo conteúdo", afirmou.
Outro tema abordado foi o uso das redes sociais por advogados. "A OAB reforça que a inteligência artificial é uma ferramenta para advogados, e não um substituto para eles, sendo inegociáveis a centralidade e a responsabilidade do ser humano", enfatizou.
Ao tratar da responsabilidade civil do advogado que não identifica uma prova inventada ou um dado manipulado, comprometendo a defesa do cliente ou a fiscalização do material recebido, Solano destacou a necessidade de ferramentas de verificação. Durante a apresentação, mostrou um protótipo do Basilisk, desenvolvido pela LBCA, que aciona quatro motores de riscos - Manticore, Chimera, Scyla e Golem - para detectar fraudes em petições, provas, pareceres e decisões judiciais. A ferramenta foi apresentada no contexto da importância da validação e do controle humano sobre o material processual.
"A IA não apenas transforma as estratégias de marketing para advogados, exigindo conteúdo de alta qualidade e transparência, mas também impõe novas responsabilidades éticas e riscos significativos. A supervisão humana e a clareza sobre o uso da IA são cruciais para manter a confiança do cliente e mitigar os perigos inerentes à tecnologia. O inimigo declarado não é a tecnologia em si, mas modelos de negócio que tentam substituir atividades privativas da advocacia", concluiu Solano.
O sócio também ministrou uma segunda palestra sobre IA na advocacia, na arena OAB/SP, com mediação do conselheiro da Ordem, Márcio Leme, e respondeu às dúvidas dos participantes.
Já Ricardo Freitas Silveira apresentou, em 29/10, a palestra "O que escala e o que fica pelo caminho: como sustentar resultados com automação, IA e tecnologia no jurídico", na qual destacou as contribuições dos sistemas disruptivos para o exercício da advocacia.
No primeiro dia do evento, a sócia Tereza Ribeiro participou da mesa-redonda "Litigância Abusiva na esfera Trabalhista", ao lado de Gabriela Stenger, gerente jurídica sênior da Vivo, e Silas Oliveira, gerente jurídico sênior da Arcos Dourados. O debate foi mediado por Ricardo Freitas.