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MP deflagra operação contra grupo suspeito de usar deepfakes de Drauzio Varella

Ação apura anúncios de produtos de saúde e venda de cursos que ensinariam a criar propagandas falsas; em ação cível, TJ/SP condenou envolvidos e elevou indenização a R$ 70 mil

4/11/2026
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O Ministério Público de São Paulo deflagrou, nesta quarta-feira, 4, a Operação Merovingian, para apurar o uso de inteligência artificial na criação de vídeos falsos com a imagem e a voz de personalidades, entre elas o médico Drauzio Varella.

A investigação apura a divulgação de produtos de saúde e a venda de mentorias que ensinariam a produzir anúncios fraudulentos para redes sociais. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão. 

Segundo o MP/SP, o grupo investigado também comercializava suplementos e substâncias medicinais sem aprovação da Anvisa, com promessas de resultados milagrosos. A investigação começou após representação apresentada por Drauzio Varella. 

Médico Drauzio Varella teve imagem e voz usadas sem autorização em anúncios produzidos com inteligência artificial.(Imagem: Ronny Santos/Folhapress)

Decisão do TJ/SP

Em ação cível relacionada ao uso da imagem do médico, a 6ª câmara de Direito Privado do TJ/SP reconheceu a responsabilidade solidária da empresa que ministrava o curso, de outra empresa ligada à operação e de dois sócios. Por unanimidade, o colegiado elevou de R$ 10 mil para R$ 70 mil a indenização por danos morais.

O acórdão, relatado pelo desembargador Ramon Mateo Júnior, apontou que os sócios conceberam, coordenaram e ministraram aulas em uma plataforma on-line, nas quais ensinavam alunos a usar inteligência artificial para criar anúncios falsos com o rosto e a voz de Drauzio. Também teriam disponibilizado fotos e outros elementos visuais do médico e explicado como explorar a credibilidade associada à imagem dele.

Para o colegiado, a utilização comercial não autorizada da imagem, do nome e da voz do médico violou direitos da personalidade e configura dano moral presumido, conforme a Súmula 403 do STJ. Ao aumentar a indenização, o tribunal considerou a gravidade da conduta, o risco de consumidores serem induzidos a erro em temas de saúde e a intenção de lucrar com o ensino da prática.

A decisão manteve, porém, a rejeição do pedido de restituição dos lucros. Segundo o acórdão, não foi comprovado que os vídeos com a imagem de Drauzio tenham sido divulgados ao público externo nem que tenham impulsionado a venda dos cursos ou produtos. Assim, o tribunal entendeu que faltavam provas do vínculo entre o uso da imagem e o ganho econômico alegado.

A decisão também determinou a expedição de ofício à OAB/SP para análise disciplinar da indicação, pelos réus, de precedentes jurisprudenciais que o colegiado considerou inexistentes. O tribunal não aplicou multa por litigância de má-fé.

A investigação teve início após representação de Drauzio Varella, apresentada pelo escritório Bottini & Tamasauskas Advogados. Em nota, os advogados Igor Tamasauskas e Otávio Mazieiro, que representam o médico, afirmaram que o uso de inteligência artificial para manipular imagens e vozes pode afetar a saúde pública.

“A situação é grave e, infelizmente, cada vez mais comum, com impacto direto sobre a saúde pública, porque leva pessoas a consumir produtos sem controle sanitário acreditando seguir a recomendação de um médico. Os responsáveis terão de responder pelos danos que causaram.”

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