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As oportunidades da volta à presencialidade

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Atualizado às 08:19

A totalidade das universidades, faculdades e instituições de ensino superior brasileiras teve que apressadamente se adaptar ao ensino à distância durante pelo menos os piores momentos da recente pandemia global de covid-19. Enquanto algumas retornaram às aulas presenciais ainda em 2021 ou no início deste ano, ainda há aquelas que planejam voltar em um futuro próximo.

Muitos estudantes de Direito pouco puderam aproveitar as principais benesses e vantagens do ensino presencial antes da suspensão das aulas ainda nos princípios da pandemia, em março de 2020. A situação ainda piora: com a continuidade da realização de vestibulares e processos seletivos durante os últimos dois anos, não são poucas as turmas Brasil afora que nem mesmo chegaram a ter aulas presenciais e, por isso, não puderam tirar proveito de muitas das melhores partes do início da vida acadêmica: tradições para calouros, matérias introdutórias e basilares ao Direito, aulas magnas e se conectar com colegas e professores são todos elementos interessantíssimos costumeiramente vividos nos primeiros semestres da graduação.

Tendo em vista tudo isso, destaco aqui alguns dos principais pontos que o estudante de Direito deve se atentar para melhor aproveitar o retorno à normalidade nas universidades: 

Melhor Aprendizado

Por melhor que tenham se preparado certas escolas, colégios e universidades à súbita conversão ao ensino à distância causada pela covid-19, estudos mostram que o ensino à distância durante a pandemia deixará legados prejudiciais ao aprendizado de estudantes de diferentes níveis de ensino.

Segundo relatório pedagógico produzido pelo Center for Education Policy Research com base na experiência de mais de dois milhões de estudantes estadunidenses durante a pandemia do covid-19, os diferentes níveis de engajamento com o Ensino à Distância decorrentes de fatores desiguais como o acesso estável à internet afetaram drasticamente o aprendizado. Além disso, o estudo comprova algo que já era imaginável desde o início da transição ao ensino remoto: a piora do aprendizado foi desproporcionalmente maior para estudantes de menor poder aquisitivo.

Com os cursos de Direito não foi diferente. A distância das salas de aula prejudicou partes tradicionalíssimas do ensino jurídico: debates conceituais, júris simulados, apresentações e discussões sobre acontecimentos recentes foram todos prejudicados. Até a clássica frase "abre aí a jurisprudência pra mim" sumiu quase completamente no cenário do EAD.

Sendo assim, a volta às aulas presenciais pode ser vista, sim, como uma oportunidade de voltar ao ritmo normal de aprendizado e de estudo. A melhor forma de aproveitá-la, então, é engajar ao máximo com as atividades propostas pelos professores, discutir conteúdos com colegas de sala e aproveitar a infraestrutura física da faculdade, principalmente bibliotecas e salas de estudo. 

Networking

Como já abordado brevemente na apresentação inicial desta coluna, o chamado networking profissional é fundamental aos primeiros passos do estudante de Direito, tanto no concorrido mercado jurídico quanto na produção acadêmica.

Nesse sentido, pode-se dizer que a convivência direta com colegas, monitores e professores tem o potencial de não somente melhorar o nível de aprendizado - tal qual foi ressaltado no ponto anterior -, mas também de formar conexões que podem ser importantes em diversos contextos: de projetos acadêmicos ao mercado de trabalho; do início da graduação à consolidação no mercado de trabalho; de trabalhos em grupo a palestras em congressos.

Dessa forma, já que criar tais conexões torna-se muito mais difícil sem o contato cotidiano num espaço em comum - a faculdade -, a volta das aulas presenciais indubitavelmente permite ao estudante interagir com professores diretamente, conhecer colegas novos ou se aproximar mais daqueles cujo único contato anterior foi em salas do Zoom e grupos de email.

Adendo: sabendo da importância do networking ao início da carreira e da importância tomada por esse tema nos contemporâneos tempos de LinkedIn, lhe abordaremos especificamente em uma coluna futura. 

Atividades extracurriculares               

Apesar de diversos eventos terem sido normalmente transferidos para o formato virtual, a chegada e a perduração da pandemia de covid-19 traduziu-se numa grande diminuição de eventos, palestras, congressos e grupos de estudo relacionados a áreas e abordagens interessantíssimas do direito e que, por vezes, não são trabalhadas diretamente na graduação.

Atividades extracurriculares são boas ferramentas àqueles que planejam ter experiências práticas com menos seriedade e exigência do que um estágio, àqueles que almejam estudar e debater mais a fundo alguma área de seu interesse - grupos de estudo constitucional são comuns, por exemplo -, àqueles que querem se conectar a outros estudantes com interesses similares, àqueles que simplesmente querem cumprir a quantidade de horas complementares requerida pela instituição de ensino ou, finalmente, àqueles que querem melhorar seu currículo. 

Falando deste último ponto, especificamente, a participação em atividades extracurriculares é de suma importância para a formação de um currículo competitivo, principalmente se tratando de processos seletivos ou períodos de estudo fora do Brasil: no contexto de uma grande concorrência a uma vaga de estágio, as atividades extracurriculares podem fazer grande diferença; além disso, elas tornam-se ainda mais fulcrais no contexto de intercâmbios, sanduíches e pós-graduações no exterior cujas taxas de aceitação demonstram níveis de concorrência acirradíssimos, principalmente nos Estados Unidos.

Logo, com o gradual retorno de palestras, congressos, grupos de estudo, eleições estudantis ou até mesmo grupos de voluntariado em decorrência do recente arrefecimento da pandemia, abrem-se ao estudante de Direito incontáveis oportunidades de fazer parte de atividades que transcendem a grade básica de sua faculdade e, assim, possibilitam a ele novos contatos, mais aprendizado, mais experiência e interessantes acréscimos ao currículo. 

Vida universitária 

Nem só de estudo, networking e atividades é feita a vida do estudante. Tendo destacado estes pontos nos parágrafos anteriores, não poderia ficar de fora esta parte fundamental do ensino superior: a atmosfera, as tradições e o convívio universitário. Considerando os milhares de litros de tinta que não foram despejados em calouros, as centenas de partidas de pebolim - totó - que não foram jogadas e as dezenas de aulas magnas infelizmente realizadas pelo Zoom Brasil afora, não é fácil estimar as incríveis experiências perdidas pelos estudantes durante os últimos dois anos.

Sendo assim, a recomendação final desta coluna não poderia ser outra senão a de aproveitar ao máximo os anos restantes na faculdade e todas as oportunidades de se envolver nos vários naipes de atividade estudantil: centros acadêmicos e conselhos de representantes; organização de festas e comissão de formatura; atléticas e times esportivos.